Contra a pandemia, 300 economistas dizem ao Conselho Europeu que “é tempo de eurobonds”

Grupo defende que, em vez de cada Estado-membro emitir a sua própria dívida pública para manter as economias a funcionar, a Zona Euro deveria adotar uma solução de partilha de risco.

“É tempo de solidariedade. É tempo de Eurobonds”. O apelo é feito por 300 economistas europeus, numa carta aberta ao Conselho Europeu, que consideram que a emissão de dívida pública comum aos países da Zona Euro é uma solução eficaz para financiar as medidas de travão ao impacto da pandemia de Covid-19.

“A crise do Covid-19 pode destruir a Zona Euro”, pode ler-se na carta, que Francisco Louçã (um dos economistas que assinou o manifesto) partilhou na sua página de Facebook. “Nenhum Estado membro deveria ter que recorrer a um bail-out ou assinar um novo memorando para acesso a fundos de emergência. Isto é uma crise europeia, exige uma solução europeia”.

O grupo defende que, em vez de cada Estado-membro emitir a sua própria dívida pública para manter as economias a funcionar, a Zona Euro deveria adotar uma solução de partilha de risco. E é isso que pede ao Conselho Europeu. “Precisamos de um instrumento comum de dívida para mutualizar os custos orçamentais no combate à crise. Agora é tempo de ação. É tempo de solidariedade. É tempo de Eurobonds”, defendem.

A ideia das Eurobonds tem mais de 30 anos, mas nunca avançou devido à oposição de países como a Alemanha. O tema voltou a estar em cima da mesa na reunião do Conselho Europeu extraordinário, realizado na terça-feira por videoconferência. Segundo a Bloomberg, foi lançado pelo italiano Giuseppe Conte, primeiro-ministro daquele que está a ser o país mais fustigado pela pandemia do Covid-19.

Mas pela primeira vez, houve abertura por parte da Alemanha. Aos jornalistas, a chancelar alemã Angela Merkel mostrou abertura para a hipótese, que durante a crise da dívida soberana tinha sido vista como uma linha vermelha pela Alemanha. Merkel solicitou ao ministro das Finanças alemão que analise a situação para que a Alemanha possa fazer parte desta potencial operação de emissão de dívida de vários países do euro. E remeteu o tema para a “reunião dos ministros das finanças”.

O grupo de economistas que defende a hipótese alguns dos mais reconhecidos especialistas europeus e norte-americanos. É o caso de Mark Blyth, Thomas Piketty, Gabriel Zucman, Giovanni Dosi, Alan Kirman ou Jean Paul Fitoussi. Inclui também dois portugueses, além de Francisco Louçã: Marina Costa Lobo e Amílcar Moreira.

Além destes, também o governador do Banco de Portugal é favorável à ideia. Carlos Costa considera que a Zona Euro deve utilizar a emissão de títulos de dívida comunitários para ultrapassar a crise provocada pelo impacto económico do coronavírus, argumentando que “não existe risco moral e o interesse é comum” a todos os países, num artigo de opinião publicado esta sexta-feira, no Jornal Económico.

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