Covid-19: Motoristas de mercadorias reclamam medidas de apoio e proteção

  • Lusa
  • 23 Março 2020

Entre as medidas de proteção reclamadas está o fornecimento de proteção individual contra a Covid-19, já que, segundo os motoristas, alguma da legislação existente não está a ser cumprida".

Os motoristas de transporte de mercadorias reclamaram esta segunda-feira medidas de apoio e proteção enquanto trabalham para abastecer a população durante a pandemia, alertando que são potenciais propagadores da doença devido às “constantes deslocações” pelo país e Europa”.

Temos plena consciência de que não podemos parar e que, com isso, estamos a correr sérios riscos, tal como outros profissionais, com a agravante do potencial de propagação da doença Covid-19 devido às nossas constantes deslocações pelo país e pela Europa“, lê-se numa carta aberta endereçada pelo Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM) ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa.

Justificando a carta aberta com a “total ausência de resposta aos dois pedidos feitos anteriormente [a 13 e 19 de março] a vários ministérios, associações patronais e até outros sindicatos representativos do setor“, o SIMM diz que os motoristas de mercadorias têm “plena consciência da importância” da sua missão no atual momento, mas sentem-se “abandonados”.

Entre as medidas de proteção reclamadas estão a adoção de “legislação sobre a obrigatoriedade de as entidades patronais fornecerem equipamentos de proteção individual contra a Covid-19”, já que “alguma da legislação já existente não está a ser cumprida”, assim como a criação de “uma rede de infraestruturas nacional de apoio aos motoristas, com locais de alimentação (‘take-away’), WC e locais para a higiene diária” destes profissionais.

Exigem ainda “que sejam adotadas medidas de proteção social para os motoristas que possam contrair a doença no exercício das suas funções” e a instalação de “postos de controlo nas fronteiras para despistagem da Covid-19 aquando do regresso ao país” dos profissionais de transporte.

“Devido às medidas tomadas (e bem) para contenção de contágio, a penosidade e dificuldade desta profissão sofreu um enorme agravamento. Vivemos na estrada, literalmente, contactamos com inúmeros agentes potencialmente contagiados, as nossas famílias estão protegidas em casa (assim acreditamos) mas, principalmente para quem faz linhas de e para fora de Portugal, a alegria do regresso deu lugar ao medo. Não estaremos nós a levar a doença para junto dos nossos entes mais queridos e até para o resto da população?”, questionam.

Recordando a greve dos motoristas de mercadorias no verão de 2019, para reivindicar “um salário justo e o pagamento de todas as horas trabalhadas devidamente declaradas e tributadas”, o SIMM diz que, “na altura, foram tomadas medidas que tinham o objetivo de impedir que toda uma classe profissional pudesse lutar por uma relação laboral mais justa e com isso uma maior proteção social, com o argumento de que teria que ser assegurado o abastecimento às populações por ser um período de férias e de grandes deslocações e que o setor dos transportes era vital para a economia e era necessário minimizar os prejuízos que a greve pudesse causar”.

“Com as devidas diferenças, não deveriam ser tomadas medidas agora para permitir que os motoristas pudessem trabalhar no abastecimento às populações com o mínimo de segurança e dignidade?”, interroga.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas de Covid-19. O país está em estado de emergência desde as 00h00 de quinta-feira, até às 23h59 de 2 de abril.

O novo coronavírus já infetou mais de 324 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 14.300 morreram.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Covid-19: Motoristas de mercadorias reclamam medidas de apoio e proteção

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião