Renováveis batem recordes em 2019, carvão chega à quota mínima dos últimos 30 anos

No ano passado, a produção renovável abasteceu 51% do consumo nacional de energia elétrica e o carvão registou a quota mais baixa desde a abertura da Central de Sines, em 1989.

Na sequência da apresentação de resultados relativos ao ano de 2019, a REN – Redes Energéticas Nacionais diz queainda é cedo para fazer uma antevisão do impacto desta crise” na sequência da pandemia de Covid-19. “Fá-lo-emos em devido tempo”, sublinha o operador da rede de transporte.

“O inicio de 2020 está a ser afetado de forma dramática pela epidemia global de Covid19. Pusemos em marcha todos os nossos planos de contingência crítica para poder garantir a operacionalidade da empresa no cumprimento dos seus serviços que são indispensáveis ao país”

E se 2020 ainda é uma incógnita, de acordo com a REN 2019 ficou marcado por uma produção renovável com níveis recorde, tendo sido a primeira vez que a produção fotovoltaica ultrapassou a marca anual de 1 TWh, chegando 1,1TWh. A produção eólica máxima diária nacional, a 22 de novembro, atingiu os 103,8 GWh e, no mesmo dia, atingiu a potência máxima de 4667 MW.

Já a produção fotovoltaica, que no final do ano contava com cerca de 730 MW instalados, ultrapassou pela primeira vez os 500 MW de potência máxima. “Estes valores evidenciam o peso crescente das fontes de energia renovável, refletindo as prioridades da política de transição energética”, refere a REN.

Em 2019, as fontes de energia renovável geraram 27,3 TWh de eletricidade, contribuindo com 56,0 % do total da geração de eletricidade. Em dezembro, a incorporação renovável foi de 77,2 %. Os combustíveis fósseis representaram os remanescentes 44,0%, o correspondente a 21,4 TWh.

Fonte: APREN

No total do ano passado, a produção renovável abasteceu 51% do consumo nacional de energia elétrica, com a eólica a representar 26% do consumo, a quota mais elevada de sempre para esta tecnologia, a hidroelétrica 17%, a biomassa 5,5% e a fotovoltaica 2,1%. Esta última foi a fonte que apresentou maior crescimento percentual em 2019, ultrapassando pela primeira vez 1 TWh de produção anual.

Em dezembro foi atingido um novo marco histórico das renováveis, que correspondeu a um período consecutivo de 5 dias e meio em que a produção da eletricidade renovável foi suficiente para satisfazer as necessidades de consumo em Portugal Continental. Este marco ocorreu entre os dias 18 e 23 de dezembro.

Em comparação com 2018, verificou-se um aumento na representatividade renovável de 3,1% na geração elétrica. Ainda assim, houve uma queda na geração efetiva dos centros eletroprodutores renováveis, de 6,8 %. Isto deve-se a uma queda de 24,9 % na geração hidroelétrica, por causa da escassez
de água durante grande parte do ano.

Nas renováveis, o maior contributo veio das eólicas (27,5 % do total de geração elétrica, 12,3 TWh), seguindo-se as centrais hidroelétricas (20,6%, 10 TWh) e as fotovoltaicas (2,2 %, 1,1 TWh), já refletindo a entrada em operação de nova capacidade solar fotovoltaica em 2019: 90MW de centralizada e 21MW de descentralizada.

Fonte: APREN

Por seu lado, a produção não renovável, abasteceu 42% do consumo em 2019, repartida pelo gás natural com 32% e pelo carvão com 10%, a quota mais baixa desde 1989, data da abertura da Central de Sines. De acordo com a APREN, o peso da geração a partir de carvão – Sines e Pego – no consumo de eletricidade em Portugal afundou 76 % em 2019.

O consumo de gás natural totalizou 67,9 TWh, com uma variação anual de +4,8%. Trata-se do segundo consumo anual mais elevado de sempre, 2,5% abaixo do registado em 2017.

No segmento do mercado elétrico, que representou 35% do consumo total, registou-se um crescimento de 14,6% face ao ano anterior, enquanto no segmento convencional se verificou uma tendência de estabilização com um crescimento marginal de 0,2%. O setor eletroprodutor foi responsável pela emissão de cerca de 10,4 milhões de toneladas de CO2, que se traduzem numa emissão específica média de aproximadamente 213 gramas de CO2 por cada kWh de eletricidade gerado.

O saldo de trocas com o estrangeiro, após três anos exportadores, foi importador, abastecendo 7% do consumo nacional. Em termos acumulados até ao final do ano, Portugal importou 7,0 TWh de eletricidade e exportou 3,6 TWh resultando num saldo importador de 3,4 TWh. Neste ano registou-se um preço médio diário no MIBEL de 47,9 €/MWh, muito inferior ao do ano anterior, de 57,4 €/MWh.

Também a utilização do terminal de GNL de Sines foi a mais elevada de sempre, com a operação de 66 navios. Foi também em 2019, a 10 de janeiro, que pela primeira vez em 22 anos o Sistema Nacional de Gás Natural exportou gás natural pela interligação de Campo Maior. “Nesse dia, o fluxo total de gás no VIP Ibérico (ponto virtual que agrega as capacidades das interligações internacionais) para abastecimento do sistema espanhol foi de aproximadamente um milhão de metros cúbicos, tendo sido quase totalmente transportados pela interligação de Campo Maior”, contou a REN.

Desde 2010 a REN plantou mais de um milhão de árvores de espécies autóctones, e nos últimos cinco anos limpou mais de 30 mil hectares nas faixas de servidão das suas infraestruturas, oito mil dos quais em 2019. Neste período, a REN assinou também a carta de compromisso “Bussiness Ambition for 1,5C”, uma iniciativa das Nações Unidas que desafia as empresas, a nível mundial, a criarem medidas de combate às alterações climáticas através da redução da emissão de gases com efeito de estufa, essenciais para travar o aquecimento global.

(Notícias atualizada)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Renováveis batem recordes em 2019, carvão chega à quota mínima dos últimos 30 anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião