Coronavírus? Cefaleia? Curva epidemiológica? Consulte o glossário do Covid-19

A pandemia do coronavírus introduziu no léxico dos portugueses uma série de novos conceitos que não eram amplamente conhecidos até agora. Apanhe o fio à meada com este glossário.

Curva epidemiológica. Cerca sanitária. Ventilador. Vírus. Nas últimas semanas, estes conceitos entraram na casa dos portugueses através da televisão, da rádio e dos jornais, pela boca de governantes, autoridades de saúde e até comentadores. Conceitos que devem ser explicados e entendidos, sobretudo nos tempos extraordinários como os que vivemos.

A pensar nisto, o ECO desenvolveu um glossário que apresenta definições para alguns destes conceitos, à luz da pandemia do coronavírus que tem assolado o mundo. Não são as definições técnicas ou complexas, mas sim um contexto básico capaz de ajudar a generalidade da população a compreender o que significam. Consulte-o.

C

Cefaleia: É o nome genérico dado a “uma dor localizada na cabeça ou na região superior do pescoço”, isto é, na região cervical, segundo o Hospital da Luz. É um dos sintomas associados à doença Covid-19, provocada pela infeção com o novo coronavírus, afetando cerca de 34% dos casos confirmados em Portugal, segundo os dados da DGS. Os outros sintomas associados à doença são a tosse (72%), febre (60%), dificuldade respiratória (23%), dores musculares (42%) e fraqueza generalizada (28). Não é de estranhar, por isso, que o número de pesquisas por “cefaleia” no Google tenha disparado nos últimos dias, segundo dados do Google Trends.

Cerca sanitária: É uma medida que está a ser usada para combater a propagação do coronavírus, nomeadamente em Ovar. No caso concreto, as “fronteiras” do concelho foram fechadas e sujeitas a um apertado controlo, depois de surgirem indícios de contágio local do novo coronavírus. Como explicou o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a cerca sanitária implica que o acesso ao concelho “está vedado”, salvo “situações excecionais” como as dos “profissionais de saúde, das forças de segurança ou de socorro, residentes regressando à sua residência habitual ou o abastecimento de áreas que devam continuar em funcionamento”.

Confinamento compulsivo: Diz respeito à obrigatoriedade de isolamento da população como forma de tentar travar a propagação da pandemia. Em Portugal, com o estado de emergência, o confinamento compulsivo obrigatório passou a aplicar-se aos doentes com Covid-19 e às pessoas sob vigilância das autoridades por terem estado em contacto com infetados. Ou seja, cidadãos nestas situações são obrigados, por lei, ao isolamento em casa ou no hospital, sob pena de cometerem crime de desobediência. A restante população não está sujeita ao confinamento, mas as autoridades apelam ao isolamento profilático voluntário.

Coronavírus: É uma família de vírus que pode causar infeções em humanos e noutros animais, sobretudo ao nível respiratório. Segundo a DGS, as infeções causadas por coronavírus podem “ser semelhantes à gripe ou evoluir para uma doença mais grave, como pneumonia”. O nome deste tipo de vírus remete para o latim corona, que significa “coroa”, apelando ao aspeto deste vírus quando observado num microscópio.

Imagem ilustrativa do novo coronavírus.CDC/Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAMS

Covid-19: É o nome da doença causada pela infeção com o novo coronavírus, caracterizada por provocar febre, tosse e dificuldade respiratória nos casos ligeiros a moderados, ou “pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos”, ou mesmo a morte nos casos mais graves. De acordo com a DGS, “a maioria dos casos recupera sem sequelas”.

Curva epidemiológica: Em linhas gerais, a curva epidemiológica é um gráfico que permite visualizar a evolução de um surto como o do novo coronavírus. A curva relaciona o número de casos com a evolução temporal desde o primeiro caso. No começo de um surto como o atual, à medida que o tempo passa, o número de casos vai aumentando e disparando até atingir um pico, seguindo-se uma redução. Esta curva pode ser rápida e acelerada num surto descontrolado, ou mais achatada e dispersa no tempo caso sejam tomadas medidas de prevenção. As autoridades portuguesas acreditam que o isolamento dos cidadãos em casa vai permitir achatar essa curva de forma a evitar o colapso do sistema de saúde. A 15 de março, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que “é previsível que a curva epidemiológica aumente até ao final de abril”. A 21 de março, a ministra atualizou a previsão, apontando que o pico deverá “situar-se à volta de 14 de abril”.

Um esquema básico que mostra duas curvas epidemiológicas e o efeito da adoção de medidas de controlo e prevenção para evitar o colapso do sistema de saúde.Wikimedia Commons

E

Estado de emergência: Numa situação de crise como a atual, as entidades democráticas soberanas podem instaurar diferentes “estados” no país, que correspondem a medidas mais ou menos apertadas. Em meados de março, o Presidente da República propôs que fosse declarado “estado de emergência”, o que o Governo e o Parlamento aceitaram. Este estado deu ao Governo poderes alargados para combater a pandemia, incluindo a suspensão de alguns direitos dos cidadãos. Entre as medidas mais apertadas estão a proibição de doentes com Covid-19 e pessoas sob vigilância saírem à rua, ou o encerramento obrigatório de estabelecimentos não essenciais.

Conferência de imprensa do Governo, a 19 de março, na qual António Costa, primeiro-ministro, anunciou as medidas que vieram concretizar o estado de emergência em Portugal.MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

I

Isolamento profilático: Uma vez que o novo coronavírus propaga-se, sobretudo, pelo contacto social, a DGS tem recomendado o isolamento profilático voluntário como forma de combate à pandemia. Significa que as autoridades de saúde estão a apelar à população que se isole em casa e evite ao máximo o contacto social, de forma a prevenir o contágio pelo novo coronavírus. Por ser voluntária, a medida não representa uma exigência nem é vinculativa como acontece no confinamento compulsivo obrigatório.

P

Pandemia: A Organização Mundial da Saúde declara uma pandemia quando um determinado surto de uma doença para a qual os humanos não tenham imunidade suscita preocupações do ponto de vista da sua expansão geográfica. Quando uma epidemia passa a ser declarada pandemia, significa que as autoridades de saúde consideram mais provável a existência de casos de contágio local ou comunitário num conjunto alargado de países. É, por isso, uma evolução do conceito de epidemia (que, por sua vez, remete para um aumento súbito no número de casos de uma doença numa comunidade ou num país, ou seja, num contexto geográfico mais restrito). O novo coronavírus foi declarado uma pandemia a 11 de março, meses depois de a epidemia se ter alastrado da China por vários países em todo o mundo, sobretudo na União Europeia.

R

Recessão: À medida que os países forçam o encerramento de fábricas e de serviços para combater a expansão da pandemia, e com as bolsas mundiais a caírem a dois dígitos, muitas previsões económicas têm apontado para a iminência de uma nova recessão mundial. Tecnicamente, uma recessão verifica-se após dois trimestres consecutivos de contração económica. Ou seja, por exemplo, dois trimestres consecutivos em que o Produto Interno Bruto de um país apresenta valores negativos. Com o coronavírus a causar disrupção económica do lado da oferta e da procura, há três grandes cenários que têm sido apresentados pelos economistas: o de uma recuperação económica em “V” (economia afunda mas recupera rapidamente), em “U” (economia afunda, recuperando apenas depois um período de dificuldades) ou em “L” (pior cenário, em que a economia afunda para dar origem a um período prolongado de depressão).

R0: Se já pesquisou sobre a pandemia do coronavírus, é provável que se tenha deparado com o termo R0. No original em inglês, lê-se “R naught” e é um conceito crucial para o desenvolvimento de políticas de saúde pública para combater o surto. O R0 é uma métrica de intensidade do surto e caracteriza-se pelo número médio de pessoas que um pessoa infetada pode contagiar. Alguns trabalhos relacionados com a pandemia do coronavírus têm incorporado na sua metodologia um R0 = 2,3, o que significa que, estatisticamente, em média, cada pessoa infetada pelo novo coronavírus contagia 2,3 pessoas. No entanto, o R0 real pode variar, nomeadamente com as medidas de isolamento tomadas como prevenção.

S

SARS-CoV-2: É o nome pelo qual ficou conhecida a estirpe de coronavírus responsável pela atual pandemia de coronavírus. Sabe-se que teve origem na China no final de 2019, mais concretamente na província de Hubei, na cidade de Whuan, num mercado local que é conhecido pela venda de animais vivos. Com efeito, a sua “origem animal” é relativamente consensual na comunidade científica, suspeitando-se de que os morcegos sejam uma das espécies portadoras, o que ainda não foi confirmado. Segundo a DGS, SARS-CoV-2 significa “Síndrome Respiratória Aguda Grave – Coronavírus – 2”.

V

Ventilador: É um equipamento médico que auxilia a respiração dos doentes nos casos de Covid-19 mais graves, podendo ser a diferença entre a vida e a morte. O ventilador tem a função de ajudar a oxigenar o sangue quando os pulmões, que têm esta função, estão incapazes de o fazer por si só de forma eficaz (por exemplo, quando apresentam fluído no seu interior). A escassez de ventiladores tem sido apontada como um dos problemas provocados pela pandemia e é um dos motivos pelo qual é crucial evitar que demasiadas pessoas fiquem infetadas ao mesmo tempo. Algumas empresas industriais em todo o mundo estão a avançar para o fabrico de ventiladores para ajudar a suprimir a falta destes aparelhos, havendo também projetos que exploram o fabrico de peças para ventiladores com recurso à impressão 3D.

Vírus: São agentes microscópios acelulares constituídos por uma cápsula proteica com algum material genético. Por outras palavras, não possuem muitos dos componentes das células, que são a unidade básica da vida, mas têm a capacidade de infetar organismos vivos. Os vírus “parasitam” uma célula, manipulando-a para que produza as proteínas de que ele próprio necessita para se replicar. Há, por isso, um amplo debate sobre se os vírus podem ser considerados seres vivos ou não, tendo em conta que têm algumas das características necessárias para tal, mas falta de outras.

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