Quando se vai começa a ver o impacto do vírus na economia? Este é o calendário da crise

A estimativa do PIB do 1.º trimestre só será conhecida em maio, mas antes disso vai ser possível ver o impacto do vírus na economia em indicadores avançados. Aliás, já há dados com quedas inéditas.

Na semana passada chegou a primeiro indicador avançado a mostrar o impacto da pandemia na economia europeia: de forma inédita, o PMI da Zona Euro colapsou de 51,6 em fevereiro para 31,4 em março, o valor mais baixo da série. Este foi o primeiro, mas serão divulgados ainda mais indicadores avançados que mostram a (quase) paralisação da economia. Em maio chega o valor mais vigiado com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a divulgar a estimativa do PIB do 1.º trimestre.

Este é também um tempo desafiante para quem faz estatísticas. O próprio INE tem a “quase totalidade” dos seus trabalhadores a trabalhar a partir de casa, mas “tentará manter a sua atividade regular”. Com muitas empresas fechadas e a “normalidade” interrompida, ficam também em causa os inquéritos do INE, que são essenciais para as estatísticas, além dos dados administrativos. Ainda assim, para já, os números continuam a sair e muito em breve já será possível começar a sentir o pulso da economia portuguesa em março, o mês em que foi declarado o estado de emergência.

O primeiro indicador, ainda que com pouca informação concreta da economia, será o inquérito de conjuntura às empresas e aos consumidores relativo a março que o INE irá publicar esta segunda-feira. Um indicador semelhante para a Zona Euro, divulgado pela Comissão Europeia, irá sair no mesmo dia. É expectável que, tal como aconteceu no PMI, estes indicadores tenham quedas inéditas (superiores às da crise financeira) e cheguem a níveis historicamente baixos.

Dados mais próximos da economia real chegam apenas a 17 e 20 de abril quando o Banco de Portugal divulgar os indicadores coincidentes da atividade económica e do consumo privado de março e o INE divulgar a síntese económica de conjuntura. A 29 de abril chegará um dado sobre o qual já se especula: a taxa de desemprego mensal provisória de março, a qual deverá subir de forma significativa face aos anúncios de despedimentos já feitos por várias empresas. Este número será consolidado por volta do dia 20 de abril com os dados do IEFP e a 6 de maio quando forem divulgadas as estatísticas de emprego do primeiro trimestre.

A nível setorial, será no mesmo dia da taxa de desemprego mensal que chegarão os números de março do comércio a retalho — que parcialmente alvo das medidas restritivas tomadas pelo Governo –, nomeadamente sobre as horas trabalhadas. Os mesmos dados relativos à indústria, à construção e aos serviços chegam a 8, 11 e 12 de maio, respetivamente. Os efeitos desta crise nas exportações e nas importações em março serão conhecidos a 8 de maio. Para a maioria destes dados divulgados pelo INE, no próprio dia, no dia seguinte ou pouco depois são divulgados os dados da Zona Euro pelo Eurostat (ver calendário em baixo).

Dado o “delay” que existe nas estatísticas, durante as próximas semanas ainda vão sair dados relativos a janeiro e a fevereiro. Nestes não será possível identificar já o impacto direto da (quase) paralisação da economia portuguesa e europeia em março, mas é possível ver outro efeito, como explicava o Banco de Portugal no boletim económico de março: “É já visível um efeito negativo nas respostas relativas a novas encomendas para exportação e aos tempos de entrega dos fornecedores, refletindo as repercussões do choque sobre a atividade económica na China”, país onde começou o surto, explicam os economistas do banco central.

Calendário de indicadores

Março

30 de março: Inquérito de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores (INE); Indicadores de Sentimento Económico e de Clima de Negócios relativo a março (Comissão Europeia);

31 de março: Estimativa rápida da inflação de março para Portugal e para a Zona Euro (INE e Eurostat);

Abril

1 de abril: PMI da indústria na Zona Euro (IHS Markit); Vendas de automóveis (ACAP);

3 de abril: PMI dos serviços (incluindo turismo) na Zona Euro (IHS Markit);

13 de abril: Inflação de março de Portugal com mais informação detalhada (INE);

17 de abril: Indicadores coincidentes sobre a atividade económica e o consumo privado referentes a março (Banco de Portugal); Inflação de março da Zona Euro com mais informação detalhada (Eurostat); Registo de Novas Viaturas de Passageiros (ACEA);

22 de abril: Vendas de Cimento em março (Banco de Portugal);

20 de abril: Síntese económica de conjuntura de março (INE);

22 de abril: Indicador da confiança dos consumidores (Comissão Europeia);

29 de abril: Taxa de desemprego mensal de março (INE); Índice de Volume de Negócios, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas no Comércio a Retalho.

30 de abril: Taxa de desemprego mensal de março na Zona Euro (Eurostat); Estimativa preliminar do PIB do primeiro trimestre para a Zona Euro e a União Europeia;

Maio

6 de maio: Estatísticas do Emprego do primeiro trimestre (INE);

8 de maio: Estatísticas do comércio internacional de bens relativas a março (INE); Índice de Volume de Negócios, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas na Indústria (INE);

11 de maio: Índice de Produção, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas na Construção e Obras Públicas (INE);

12 de maio: Índices de Volume de Negócios, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas nos Serviços (INE);

15 de maio: Primeira estimativa da evolução do PIB no primeiro trimestre para Portugal e a Zona Euro (INE/Eurostat); Atividade turística de março (INE); Comércio internacional de bens da Zona Euro em março (Eurostat);

29 de maio: Informação mais completa das contas nacionais trimestrais do primeiro trimestre, com detalhes sobre o impacto da pandemia no PIB;

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Quando se vai começa a ver o impacto do vírus na economia? Este é o calendário da crise

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião