Coronavírus pode custar a Portugal 4,5% do PIB, segundo estudo da IESE Business School

Se as medidas contenção do vírus se prolongarem até meados de junho, Portugal terá uma contração do PIB de 7%. Já se as medidas se prolongarem até ao final de julho, a recessão será de -10,7%.

O coronavírus terá impacto na economia portuguesa e isso é um dado adquirido por esta altura, no entanto, falta saber qual a dimensão do impacto — da recessão, de acordo com as várias previsões que vão sendo divulgadas. Segundo um novo estudo de Nuno Fernandes, professor de economia na IESE Business School, esta crise poderá custar ao país cerca de 4,5% do PIB.

Em comparação com crises passadas, o mundo está “a enfrentar um choque combinado de procura e oferta” que irá aprofundar os efeitos negativos da pandemia na economia mundial. O estudo refere ainda que o Covid-19 surgiu numa altura em que “as taxas de juro iniciais são baixas, e os instrumentos económicos para combater a crise limitados“. Além disso, “os bancos centrais esgotaram o seu poder de fogo durante os bons tempos“, defende o estudo.

O estudo sublinha que países como a Grécia, Portugal e Espanha, mais dependentes do turismo, serão mais afetados por esta crise. No caso de um cenário moderado (paragem da atividade económica durante mês e meio) é esperado que “Portugal entre em recessão, com um decréscimo no PIB de cerca de 2,9%. A crise é expectável que custe aproximadamente 4,5% do seu PIB”.

Contudo, se as medidas contenção do vírus se prolongarem até meados de junho de 2020, Portugal registará uma contração do PIB de 7%. Já se as medidas se prolongarem até ao final de julho, a recessão da economia será de -10,7%.

Quanto aos restantes países europeus, o estudo refere que na sua maioria sentirão “recessões significativas, com contrações do PIB de -2% a -3%. Neste cenário, quase todos os países analisados irão ter um crescimento negativo do PIB”.

Impacto do coronavírus num cenário moderado.

A nível mundial, se as medidas durarem até o final de julho 2020, a queda média do PIB irá situar-se perto de 8%. Em média, cada mês adicional de crise custará 2% a 2,5% do PIB global. O professor Nuno Fernandes avisa que “se a crise atual durar até o final do verão, a economia global enfrenta a mais grave ameaça vista nos últimos dois séculos”.

Um cenário que é também partilhado pelo FMI. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, avisou esta segunda-feira os países do G20 que esta recessão provocada pelo coronavírus será tão má como a da crise financeira de 2008, “ou pior”. Porém, o organismo realça ainda que as economias avançadas estão, em geral, numa posição melhor para responder à crise, “mas muitos países de mercados emergentes e de baixo rendimento enfrentam desafios significativos”.

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