Com lay-off, Estado pode vir a pagar salário a um terço de todos os trabalhadores

Juntando os trabalhadores em lay-off com os funcionários públicos, o Estado poderá ter às suas costas o pagamento dos salários de um terço dos trabalhadores portugueses nos próximos meses.

Siza Vieira admite que haverá um milhão de trabalhadores abrangidos pelo lay-off. Com base nesta premissa, é possível concluir que o Estado pode vir a ter de pagar o salário a mais de um terço (35%) dos trabalhadores em Portugal nos próximos meses, segundo as contas do ECO com base nos dados do INE e do SIEP.

Se um milhão de trabalhadores estiver em lay-off, que é um cenário que eu tenho há duas ou três semanas em perspetiva e que hoje em dia não acho que seja irrealista, isto significa mil milhões de euros por mês [em despesa do Estado]“, revelou esta semana o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, em entrevista ao Porto Canal.

Recorrendo aos dados do emprego do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) relativos ao final de 2019, é possível saber que nessa altura havia 4,9 milhões de trabalhadores em Portugal. E, segundo o Síntese Estatística do Emprego Público, nesse mesmo período havia 698 mil funcionários públicos (cerca de 14% da população empregada).

Juntando um milhão de trabalhadores abrangidos pelo lay-off ao número de funcionários públicos, os cofres públicos poderão vir a pagar o salário a quase 1,7 milhões de trabalhadores nos próximos meses. Face ao total de população empregada, o Estado pode vir a ter às suas costas a folha salarial de aproximadamente 35% da força de trabalho da economia.

Contudo, é de notar que estes números baseiam-se nas estatísticas do mercado de trabalho no final de 2019, o que não é equivalente aos dados que se vão verificar no final de março. Com base nas notícias de que já há empresas a despedir trabalhadores, é expectável que a população empregada diminua, o que levará a uma redução da percentagem calculada neste artigo.

Por outro lado, esta percentagem pode ser maior se se incluir o apoio que o Estado vai dar aos trabalhadores independentes — são mais de 300 mil que começam a receber o apoio em abril, segundo o Jornal de Negócios — aqueles que sofram uma redução do seu rendimento por causa da pandemia. E é de recordar também os cerca de 3,6 milhões de pensionistas que recebem (e vão continuar a receber) a sua pensão da Segurança Social. Tudo junto, é percetível, mesmo sem números oficiais, a dimensão do “custo” desta crise pandémica nas contas públicas.

No regime de lay-off, a Segurança Social paga 70% do salário bruto do trabalhador, o qual sofre um corte de 33% neste regime, e a empresa fica responsável pelos restantes 30%. A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, revelou que mais de 3.600 empresas já pediram o acesso ao lay-off — é esse o caso da TAP, por exemplo, que terá cerca de 9 mil trabalhadores em lay-off, mas também a Transdev, que colocou 2.000 colaboradores neste regime.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Com lay-off, Estado pode vir a pagar salário a um terço de todos os trabalhadores

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião