Lay-off “em cima da mesa para a esmagadora maioria” das empresas da metalomecânica

Com a pandemia, setor da metalomecânica e da metalúrgica pode ter um prejuízo de cerca de quatro mil milhões de euros até julho.

O setor da metalomecânica e da metalúrgica é dos poucos que ainda continua a trabalhar. A maioria das empresas ainda não avançou para lay-off, mas é “uma medida que está em cima da mesa para a esmagadora maioria das empresas”, refere Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP). “Tudo depende do tempo que a pandemia durar”, remata.

“A maioria das empresas do setor metalúrgico e metalomecânica ainda continua a trabalhar, ao contrário do que se passou em outros setores que fecharam a grande generalidade das empresas. Neste setor continuamos a trabalhar parcialmente, mas é previsível que um número muito substancial de empresas vá para lay-off”, explica ao ECO, Rafael Campos Pereira.

Rafael Campos Pereira refere que “muitas foram obrigadas a recorrer a lay-off, como por exemplo as empresas localizadas em Ovar”, município onde foi decretado estado de calamidade pública. E das mil empresas do setor estão associadas à AIMMAP, “cerca de cem já estão a preparar-se para entrar em lay-off”.

“Enquanto as cadeias de abastecimento estiverem perturbadas, enquanto a logística estiver constrangida, enquanto houver cancelamentos de encomendas e a indústria automóvel estiver parada, tudo isto condiciona as nossas empresas”, destaca o vice-presidente da AIMMAP.

O setor da metalomecânica e a metalúrgica, que exporta cerca de 20 mil milhões de euros e têm um volume de negócios de 30 mil milhões de euros, diz que com esta pandemia estão em causa cerca de 100 mil postos de trabalho e um prejuízo de quatro mil milhões de euros.

“Se admitirmos que todos os trimestres são iguais, estamos a falar de um volume de negócios de 7,5 mil milhões de euros neste segundo trimestre. Se cair 50% estamos a falar de um impacto de aproximadamente quatro mil milhões de euros, isto presumindo que a situação de estabelece minimamente no início de julho”, conclui o vice-presidente da AIMMAP.

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