BCP cai 5% para novo mínimo histórico. Já perde metade do valor este ano

Banco tocou mínimos históricos e liderou as perdas na bolsa de Lisboa. Numa altura em que todo o setor financeiro está sob pressão, o BCP foi alvo de dois cortes no preço-alvo.

O BCP voltou a afundar em bolsa, com o pessimismo dos analistas a juntar-se ao momento ao difícil vivido por todo o setor da banca. O banco liderado por Miguel Maya tombou 5,21% para um novo mínimo histórico, nos 0,0891 euros por ação. No acumulado do ano, os títulos já perderam mais de metade do valor.

Dois bancos de investimento reviram, esta sexta-feira, as recomendações sobre o BCP. O Jefferies cortou o preço-alvo para 0,16 euros (contra o anterior de 0,29 euros) e o JP Morgan para 0,15 euros (face à anterior projeção de 0,24 euros).

As revisões em baixa agravam a tendência que já se vivia. Além das quedas generalizadas nas bolsas, a banca tem estado sob especial pressão, sendo chamada a ajudar a economia a recuperar da crise pandémica, nomeadamente através de créditos e moratórias. Em simultâneo, travam o pagamento de dividendos aos acionistas para reforçar a solidez financeira.

Assim, o BCP acumula já uma série de seis sessões consecutivas de perdas. Esta sexta-feira foi o título que mais desvalorizou no PSI-20. O índice cedeu 0,52% para 3.972,71 pontos, penalizado ainda por títulos como a Corticeira Amorim (-4,4%), os CTT (-3,5%), a Semapa (-2,93%) ou a Navigator (-2,12%).

Em sentido contrário, as ações do retalho e das telecomunicações — setores que beneficiam com a pandemia — têm mantido a resiliência. A Nos valorizou 2,2% para 3,068 euros, a Sonae ganhou 1,7% para 0,602 eurose e a Jerónimo Martins subiu 1,61% para 16,10 euros.

Banco liderado por Miguel Maya negoceia abaixo dos 9 cêntimos

Na energia, o desempenho foi misto. A EDP deslizou 0,11% para 3,556 euros, enquanto a EDP Renováveis somou 10,42 euros. Já a Galp Energia — que perdeu 1,2% para 10,36 euros por ação — tem padecido à incerteza que se vive no mercado petrolífero.

Depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter anunciado um acordo entre Rússia e Arábia Saudita, que foi negado pela administração de Vladimir Putin, os produtores estarão mesmo a tentar alinhar a estratégia.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros países aliados conhecidos como OPEP+ estão a trabalhar num acordo para um corte de produção que poderá atingir 10% do abastecimento mundial. Há uma reunião marcada para segunda-feira e a expectativa levou o preço do petróleo a disparar.

Após um ganho de 25% na última sessão, o Brent de referência europeia valoriza 9,65% para 32,83 dólares por barril e o crude WTI norte-americano ganha 4,78% para 26,53 dólares.

“Os mercados europeus fecharam em baixa, num dia em que os investidores se focaram mais nos indicadores económicos publicados nos dois lados do Atlântico e na evolução do preço do crude”, explicam os analistas do BPI sobre as principais praças europeias. O Stoxx 600 perdeu 1%, o alemão DAX cedeu 0,5%, o francês CAC 40 caiu 1,6% e o italiano FTSE MIB derrapou 2%.

Além dos avanços e recuos no petróleo, a atividade comercial na Zona Euro colapsou em março perante as medidas dos governos de encerramento de grande parte dos negócios. O Índice Gestores de Compras (PMI) Compostas final, elaborado pela IHS Markit, afundou para um mínimo de sempre nos 29,7 no mês passado, face aos 51,6 registados em fevereiro.

(Notícia atualizada às 17h10)

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