“Ainda estamos em negação sobre os efeitos que a crise terá no nível de vida”

  • Lusa
  • 7 Abril 2020

Daniel Bessa diz que para "quem já esteja numa situação de lay-off ou tenha perdido o emprego", as consequências da crise económica já se fazem sentir.

O economista Daniel Bessa considera que em Portugal ainda há quem esteja “em fase de negação” sobre os efeitos da crise económica provocada pelo Covid-19 “no rendimento e no nível de vida” de todos.

Em entrevista à Lusa, o professor universitário diz que, se do lado da questão da saúde, “não há negação possível” e os “problemas estão à vista”, do lado da economia, vive-se “ainda uma espécie de fase de negação, em que se admite que as consequências poderão ser muito mitigadas”.

Daniel Bessa ressalva que para quem já esteja numa situação de lay-off ou tenha perdido o emprego, é óbvio que já sentiu as consequências da crise económica, mas lamenta ainda ver pessoas a defender, por exemplo, “a proibição de despedimentos e coisas do género, como se isso fosse possível”.

“Não é possível levar uma empresa, qualquer que ela seja, a manter o emprego e a pagar os salários se estiver parada durante muito tempo”, explica o economista, adiantando que quem defende essa tese parece acreditar que, com essa proibição, conseguir-se-ia manter o rendimento das pessoas.

“Há quem pense que, se proibirmos os despedimentos, o rendimento poderá não cair tanto, mas o rendimento é o resultado da produção distribuído pelas pessoas e não havendo produção… É por isso que digo que ainda estamos em fase de negação do ponto de vista dos efeitos que isto vai ter no rendimento e no nível de vida das pessoas”, conclui.

Daniel Bessa alerta ainda para outro efeito que se poderá vir a fazer sentir: problemas no abastecimento de bens.

“Vamos ter problemas de abastecimento. Hoje quem tem dinheiro e está em casa, está preocupado, mas não lhe falta nada. Usa as compras online ou usa take away”, lembra o professor universitário, alertando, no entanto, para que “se o atual estado de paragem produtiva se mantiver por mais dois ou três meses, esses bens vão faltar”.

Depois de surgir na China, em dezembro, O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais.

Em Portugal, segundo a Direção-Geral da Saúde, registaram-se 311 mortes e há 11.730 casos de infeções confirmadas.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Ainda estamos em negação sobre os efeitos que a crise terá no nível de vida”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião