“Maioria dos hotéis está fechada”, diz AHP. 85% dos trabalhadores vão para lay-off

Mais de 80% dos hotéis nacionais estão de portas fechadas, pelo menos em abril e maio. Até junho, o setor estima perdas que podem chegar aos 1,44 mil milhões de euros em receitas.

A maioria dos hotéis no país optou por fechar portas, pelo menos durante abril e maio, devido aos impactos que o surto de coronavírus está a ter no setor, apurou a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Num inquérito realizado ao setor, concluiu-se que 94% das unidades hoteleiras nacionais vão aderir ao regime de lay-off, estimando-se perdas de até 1,44 mil milhões de euros no primeiro semestre.

Numa altura de crise para o setor turístico, mais de 80% dos hotéis decidiu encerrar temporariamente, aceitando reservas apenas a partir de maio ou junho. Nas situações que estas unidades tiveram de lidar com cancelamentos de reservas, a maioria optou por reagendar essa estadia para outra data, revelou a CEO da AHP, Cristina Siza Vieira, durante a apresentação online do inquérito esta quarta-feira.

Perdas podem chegar aos 1,44 mil milhões até junho

A convicção da AHP nesta altura é que se está “nos mínimos olímpicos da hotelaria”, em que “é muito mais pessimista uma quebra na receita geral do hotel do que na taxa de ocupação”, disse a responsável. Assim, em termos de impactos até junho, a associação estima que poderá haver entre 11,8 a 13,1 milhões de noites perdidas nos hotéis, resultando numa perda entre 1,28 mil milhões e 1,44 mil milhões de euros em receitas turísticas.

Face ao primeiro inquérito, realizado há cerca de um mês, os responsáveis hoteleiros mostram-se mais pessimistas. “Março foi o mês em que tudo mudou e em que 60% dos inquiridos tem muito pouca confiança da retoma ate ao final do primeiro semestre”, disse Cristina Siza Vieira, sublinhando que “não se confirma que haja uma normalização” até junho. As unidades do norte, centro e Alentejo recuperarão mais rapidamente, diz.

Impacto leva hotéis a recorrer a linhas de apoio e lay-off

E por estarem já a sentir perdas e a antecipar os impactos futuros, os hotéis estão a tomar medidas para suportar os custos. Assim, de acordo com o inquérito da AHP, mais de 75% das unidades hoteleiras recorreu ou pretende recorrer às linhas de apoio de financiamento ao turismo, nomeadamente a linha de crédito para as empresas do setor, dotada de 900 milhões de euros.

Mas há empresas para as quais estas linhas não são suficientes e, por isso, pensam mais à frente: o lay-off. As conclusões apontam que 94% dos hotéis no país pretendem implementar o regime de lay-off como é o caso do Vila Galé e do Marriott, como o ECO noticiou, sendo que a maioria pretende colocar entre 80% a 100% dos trabalhadores em casa, numa média de 85%. A AHP estima que serão colocados neste regime cerca de 51 mil trabalhadores.

(Notícia atualizada às 12h34 com mais informação)

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