Sabe quanto vai pagar se recorrer às linhas de crédito Covid-19? Veja aqui as simulações

A EY preparou um conjunto de simulações para as sete linhas de crédito que estão disponíveis às empresas para mitigar os efeitos do coronavírus. Veja quanto paga por mês em cada caso.

Tem uma empresa e está a pensar aderir às novas linhas de crédito lançadas pelo Governo para ajudar as empresas a mitigar os efeitos da pandemia de coronavírus? Tem dúvidas sobre quais os encargos mensais deste apoio? O ECO preparou um conjunto de simulações, em conjunto com a EY, para o ajudar a ter uma ideia de quanto vai pagar por mês ao longo da vida do empréstimo. São sete simulações para sete as sete linhas de crédito que foram até agora lançadas pelo Governo.

ÍNDICE

  1. Linha Covid – TURISMO (Empreendimentos e Alojamentos)
  2. Linha Covid – TURISMO (Microempresas)
  3. Linha Covid – TURISMO (Agências de Viagens, Animação Turística e Organiz. Eventos)
  4. Linha Covid – RESTAURAÇÃO
  5. Linha Covid – INDÚSTRIA
  6. Linha Covid – FUNDO DE MANEIO
  7. Linha Covid – PLAFOND DE TESOURARIA

O primeiro passo é perceber a qual das linhas quer recorrer e se preenche as condições para aceder às mesmas. Para isso deve consultar o site do IAPMEI ou da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua.

No total existem 3.460 milhões de euros para apoiar empresas de diversos ramos de atividade. Algumas com condicionantes (como não despedir os trabalhadores), outras não. Mas já há a garantia do ministro da Economia de que estas linhas vão ser alargadas no valor e nos setores, para abranger o comércioe outros ramos da atividade económica.

Assim, vamos imaginar, por exemplo, uma pensão com três trabalhadores e um volume de negócios inferior a dois milhões de euros, o que se encaixa no conceito de microempresa. Pede um empréstimo de 50 mil euros (o limite máximo) por quadro anos.

Neste caso, e de acordo com as simulações que a EY preparou para o ECO, a empresa terá de pagar nos 11 primeiros meses do crédito 30 euros relativos a juros e imposto de selo, mas não há qualquer amortização de capital, porque esta linha tem um período de carência de 12 meses (veja a tabela em baixo). No final desse primeiro ano, a prestação mensal é agravada pelos 200 euros de comissão de gestão cobrados pelo banco.

Assim que termina a carência, a prestação sobe para 1.419 euros. Um valor que se mantém mais ou menos constante até ao final do segundo ano, quando há lugar, novamente, ao pagamento de uma comissão de gestão. Nesse mês, a ‘fatura’ sobe para 1.553 euros, o valor mais elevado a pagar durante toda a maturidade do empréstimo, sem contar com a mensalidade final, na qual, apesar dos juros e da comissão de gestão já serem muito baixos, é necessário pagar a comissão de garantia mútua de 527 euros. Esta comissão é calculada sobre o valor em dívida, sendo que para empréstimos superiores a um ano, a percentagem a aplicar aumenta gradualmente ao longo da vigência da garantia. Para uma microempresas como é este o caso, durante o primeiro ano a percentagem é 0,25, sobe para 0,5% durante o segundo e terceiro ano da vigência da garantia e para 1% durante o quarto ano do crédito. A última prestação é assim de 1.947 euros.

 

Vamos ver o caso de uma outra microempresa que também opera na área do turismo, mas que opta por pedir um empréstimo de dez mil euros no âmbito do apoio de tesouraria operacionalizado pelo Instituto de Turismo de Portugal. Neste caso a operação tem apenas três anos, mas o período de carência de 12 meses mantém-se.

De acordo com a simulação da EY, a empresa só paga a primeira prestação de 1.250 euros ao fim de um ano e três meses. Valor que se mantém constante até ao final da maturidade do empréstimo e que é reembolsado de três em três meses.

 

 

O novo exemplo poderia ser de uma agência de viagens, também com menos de dez trabalhadores e um volume de negócios inferior a dois milhões de euros. Neste caso o empréstimo seria de 25 mil euros, mas apenas por três anos.

Neste caso, a empresa teria de pagar 26 euros nos primeiros 11 meses, apenas para assegurar os juros, começando a amortizar capital ao fim de um ano. A partir daí a prestação mensal rondaria os mil euros, para terminar em 1.242 euros, tendo em conta o pagamento postecipado da comissão de garantia mútua.

 

 

Vamos agora ver o caso de um pequeno restaurante, — um dos setores mais afetados porque foram obrigados a fechar portas e operar apenas em regime de takeway, — que decide pedir dez mil euros por um período de dois anos.

A simulação evidencia que a empresa pagará uma mensalidade em torno dos 800 euros, sendo que no primeiro paga apenas oito devido ao período de carência que lhe permite não amortizar capital.

 

 

O exemplo é agora de uma pequena indústria que pede um empréstimo de 100 mil euros ao longo de quatro anos.

Neste caso o encargo mensal começa nos 94 euros, para se agravar até um máximo de 3.253 euros ao fim de dois anos, quando é necessário pagar a prestação fixa de 2.778 euros de reembolso do capital, 65 euros de juros e impostos e 410 euros de comissão de gestão. Mais uma vez a última fatia é a mais elevada tendo em conta a necessidade de pagar a comissão de garantia de 1.053 euros, que aumenta o montante a pagar nesse mês para 3.910 euros.

 

Vamos agora ver o exemplo de uma empresa que tenha optado por pedir o financiamento máximo de 1,5 milhões de euros para fundo de maneio, e que tenha escolhido pagá-los mensalmente ao longo de quatro anos. Nesta linha as empresas podem optar por prestações iguais, mensais, trimestrais ou semestrais e postecipadas.

De acordo com as simulações da EY, neste caso a empresa começa por pagar pouco mais de quatro mil euros durante o período de carência. Mas assim que este termina, a mensalidade dispara para 45.764 euros, para descer paulatinamente até chegar o momento de pagar uma nova comissão de gestão ao fim do terceiro ano. Aí a ‘fatura’ a pagar é de 46.7892 euros. Neste caso não há lugar a pagar comissão de garantia mútua, porque a bonificação é feita a 100%. E os juros não são mais baixos porque existe um floor que impede que a taxa seja inferior ao spread como acontece com as restantes linhas.

 

Vamos agora ver o caso de uma empresa que pediu um milhão de euros no âmbito da linha de oitenta milhões para apoiar a tesouraria das empresas.

Neste caso, como não existe um período de carência, a empresa começa logo a pagar 29.397 euros de prestação, que inclui amortização de capital e juros. A maior prestação é paga ao fim de um ano (32.180 euros) e a partir daí é sempre a descer. Também neste caso não há lugar ao pagamento da comissão de garantia mútua e aplica-se um floor de 0% na swap da Euribor.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Sabe quanto vai pagar se recorrer às linhas de crédito Covid-19? Veja aqui as simulações

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião