Quietinho em casa: a startup de resposta ao covid-19 que atravessou o Atlântico

Projeto criado nos primeiros dias de pandemia em Portugal cresceu e já chegou ao Brasil. Plataforma quer capacitar pessoas mais velhas para comprarem através da internet.

João Pinho passou aquele fim de semana a pensar como podia convencer os pais a não saírem de casa. “Estava com dificuldades em convencê-los a ficar em casa e percebi aí que percebi que havia um desequilíbrio de gerações: a minha não tem problemas de literacia digital mas, na dos meus pais e pessoas mais velhas do que eles, é mais difícil”, conta, João Pinho, 29 anos, ao ECO.

Foi mesmo a pensar neles que nasceu a Quietinho em casa, uma plataforma digital que tem como objetivo capacitar pessoas no acesso e prática de compras online. Como? Através de tutoriais preparados e filmados por utilizadores dessas mesmas plataformas e das novas gerações.

Quietinho em casa, na versão original portuguesa.D.R.

“Com um grupo de amigos, criámos o Quietinhoemcasa.pt, onde juntamos tutoriais para ajudar pais, avós e vizinhos, e todos os que se sintam menos confortáveis, a fazer encomendas online que, neste momento, são muito valiosas porque nos permitem ficar em casa e conter a propagação do coronavírus”, explica o cofundador do site lançado a 15 de março e que já conta com mais de 140 mil visitas e 116 comerciantes listados.

Com o tempo, a plataforma foi crescendo em linha com um diretório de pequenos pontos de comércio que fazem entregas ao domicílio e que, de alguma maneira, capacita também estes pequenos comerciantes em matéria de práticas de entrega ou pagamentos digitais. Assim, de uma ideia discutida por seis amigos, a plataforma conta, neste momento, com mais de 30 voluntários a trabalhar no site e integra também a comunidade tech4COVID, que conta com centenas de empreendedores portugueses envolvidos.

Atravessar o Atlântico

Depois de lançada a plataforma, João Pinho foi contactado pela amiga Caroline Arice Silva, 31 anos e formada em jornalismo. A brasileira queria saber mais sobre o projeto e ter ideia de como poderia escalar a ideia e fazê-la crescer, também no mercado do outro lado do Atlântico. João passou-lhe os arquivos do site, o código e, 10 dias depois — que foram aplicados a desenvolver o conteúdo adaptado ao mercado brasileiro, nascia a Quietinhoemcasa.com, o irmão com sotaque da plataforma portuguesa. “De quinta para sábado, juntou-se mais uma pessoa, recebemos os arquivos e começámos a produzir os tutoriais”, conta Caroline, em conversa com o ECO. Atualmente, a plataforma brasileira, que conta com uma equipa mais pequena, tem 11 vídeos publicados.

“No Brasil, a principal adaptação do projeto foi a questão da plataforma, porque tivemos de adaptar os tutoriais e focá-los em apps para telemóveis, que contam com uma população de 210 milhões de habitantes. Agora estamos no momento de pensar na divulgação, porque queríamos ter os vídeos prontos para começar a comunicar”, esclarece.

Talvez pela simplicidade do processo, João Pinho quer ver o projeto crescer para outras geografias e, por isso, neste momento, a equipa portuguesa está focada em dois eixos estratégicos: primeiro, fazer crescer o Quietinhoemcasa.pt e, segundo, traduzir todo o conteúdo para inglês para que outros países possam “importar” o projeto. Já sobre a continuidade do Quietinho em casa no pós-covid, João prefere não antecipar ambições. “Ainda não conseguimos ver utilidade para o site para quando isto passar. Agora queremos ter o máximo de conteúdo, o mais rápido possível”, acrescenta.

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