FMI vê economia mundial contrair 3%, recupera em 2021. PIB da Zona Euro vai cair 7,5%

A grande maioria das principais economias mundiais deverão encolher este ano, devido aos efeitos da pandemia, prevê o FMI. Ainda assim, a recuperação está à vista em 2021.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma contração da economia mundial de 3% este ano, devido aos efeitos da pandemia de Covid-19, que já se espalhou pelo globo. Ainda assim, no próximo ano deverá verificar-se uma recuperação, com um crescimento global de 5,8%.

Estas são as conclusões do FMI no World Economic Outlook (WEO) de abril, divulgado esta terça-feira. Nestas estimativas, a instituição já tem em conta os efeitos do surto. Vê a economia mundial encolher 3%, uma forte revisão em baixa face às estimativas apresentadas em janeiro.

Já para 2021 a economia mundial deverá recuperar desta crise, que o FMI diz ser marcada pelo “O Grande Isolamento” (“The Great Lockdown”), ao crescer 5,8%. Esta recuperação “reflete a normalização da atividade económica de níveis muito baixos”, aponta o FMI, mas “depende criticamente do esmorecer da pandemia no segundo semestre de 2020, permitindo a redução gradual das medidas de contenção e o restauro da confiança dos consumidores e dos investidores”.

As estimativas assumem também que as políticas tomadas pelos países para mitigar os efeitos da pandemia são eficazes na prevenção de falências, grandes perdas de emprego e tensões no sistema financeiro. O Fundo aponta ainda que a recuperação prevista está “acima da tendência” verificada nas últimas recessões. Ao comparar com a última crise, em 2010 o crescimento global recuperou para 5,4%, face uma contração de 0,1% em 2009.

Crescimento mundial per capitaFMI

Ainda assim, o nível de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para o final de 2021, tanto nos países avançados como nas economias emergentes e em desenvolvimento, permanece abaixo das estimativas feitas antes do vírus.

Recessão forte na Zona Euro e EUA. China cresce 1,2%

Já os países da Zona Euro vão registar, em média, uma recessão de 7,5% este ano. É uma contração acima daquela prevista para a economia mundial, bem como nas economias avançadas. Para 2021, o FMI estima uma recuperação de 4,7% para os países que partilham o euro.

Entre as economias avançadas, as projeções apontam para uma recessão de 6,1% em 2020. A maioria das economias do grupo estão previstas contrair este ano, incluindo os Estados Unidos (–5,9%), Japão (–5,2%), Reino Unido (–6,5%), Alemanha (–7,0%), França (–7,2%), Itália (–9,1%) e Espanha (–8,0 por cento).

Já para o próximo ano está previsto um crescimento de 4,5% nestas economias, que deverão todas recuperar em 2021. Quando se olha para o grupo de mercados emergentes e economias em desenvolvimento, as projeções são de que este irá contrair 1% em 2020, e crescer 6,6% no próximo ano.

Na China é que o caso é mais diferente. O FMI prevê que a economia chinesa ainda cresça este ano, 1,2%. Já para o próximo ano, o FMI prevê uma subida de 9,2% no PIB.

As estimativas e projeções são baseadas em informações estatísticas disponíveis até 7 de abril deste ano. O FMI sinaliza que “existe extrema incerteza à volta das previsões de crescimento, porque a quebra económica depende de fatores incertos que interagem de formas difíceis de prever”.

Principais parceiros de Portugal vão contrair mais de 5%

A pandemia afeta de diferentes formas os países, mas, no geral, a maioria verá o PIB encolher este ano. Quando se olha para os principais parceiros comerciais económicos nacionais, esta é a tendência. A maioria dos países europeus, com quem Portugal mantém uma relação comercial estreita, vão registar contrações acima dos 5%.

É o caso de Espanha, cuja economia deverá encolher 8% em 2020, segundo as previsões do FMI. Já para 2021 as projeções apontam para uma recuperação no país vizinho, um dos mais afetados pelo vírus, com um crescimento 4,3%. A taxa de desemprego deverá fixar-se nos 20,8% em 2020, sendo que o país registou em março o maior aumento da história do número de desempregados.

Na Alemanha, onde também se registaram muitos casos de infeção, o PIB vai contrair 7% em 2020. A recuperação contempla um crescimento de 5,2% em 2021, de acordo com o FMI. Não está prevista uma subida muito alta no desemprego, que se deverá fixar nos 3,9% em 2020 e 3,5% em 2021.

Os números são semelhantes para França e os Países Baixos. O FMI prevê que a economia francesa encolha 7,2% este ano, e cresça 4,5% no próximo. Já o PIB holandês deverá contrair 7,5% em 2020, recuperando 3% no próximo ano. Também no Reino Unido, o PIB poderá diminuir 6,5% este ano, e crescer 4% em 2021, de acordo com as estimativas.

O caso mais grave entre os parceiros nacionais será o de Itália, que se vê severamente afetado pelo vírus. A projeções apontam para uma contração de 9,1% da economia italiana. Já no próximo ano, o PIB de Itália deverá registar um crescimento de 4,8%.

Fora da Europa, nos Estados Unidos, que registam agora o maior número de vítimas mortais do mundo, o cenário é semelhante. O PIB deverá encolher 5,9% este ano, recuperando no próximo com um crescimento de 4,7%. Já em Angola, um dos países exportadores de petróleo, o FMI estima uma recessão de 1,4% este ano. Para 2021, as projeções apontam para um crescimento de 2,6%.

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