Tráfego nas redes estabiliza, mas continua em alta por causa da pandemia

O tráfego nas redes de comunicações estabilizou na semana passada face à semana anterior, mas continua em alta quando comparado com o período anterior à pandemia de Covid-19, revelou a Anacom.

O tráfego nas redes de comunicações em Portugal estabilizou na semana passada, mas continua em forte alta comparativamente com o período antes da pandemia. Entre 6 e 12 de abril, o tráfego de serviços móveis diminuiu 1% na voz móvel e 7% nos dados móveis, enquanto o tráfego de serviços fixos aumentou 3% na voz fixa e 2% nos dados fixos, mostram dados revelados pela Anacom.

“De acordo com a informação disponível, mantêm-se as alterações nos padrões de utilização dos serviços de comunicações eletrónicas identificadas desde a entrada em vigor das medidas excecionais”, aponta o regulador num comunicado. Em causa, mais concretamente, estão as medidas de confinamento domiciliário recomendadas pelas autoridades de saúde à generalidade da população com vista a mitigar a propagação do novo coronavírus.

Variação do tráfego face à semana anterior

Fonte: Anacom

Assim, numa altura em que uma parte significativa do país trabalha a partir de casa, o tráfego de dados móveis aumentou 18% e o de dados fixos cresceu 48% face ao período pré-pandemia, um aumento de 47% em termos gerais. No caso da voz, o aumento foi de 24% para a voz móvel, 102% para a voz fixa e 38% para o tráfego de voz em geral.

“Apesar do aumento do peso relativo da voz fixa, a voz móvel continua a ser cerca de cinco vezes superior à voz fixa. Já no caso do tráfego de dados, o tráfego de dados fixo é mais de 20 vezes superior ao tráfego de dados móveis”, aponta a entidade liderada por João Cadete de Matos.

A recolha e análise deste tipo de informação ganharam relevância com a chegada da pandemia em Portugal. A massificação do teletrabalho gerou uma pressão acrescida sobre as redes das operadoras, o que levou o Governo a aprovar um decreto-lei que permite que as fornecedoras de serviços bloqueiem tráfego não essencial, como jogos online e plataformas de streaming de conteúdos como a Netflix, de forma a evitar o colapso das redes de comunicações eletrónicas no país.

Até ao momento, as operadoras não terão recorrido aos poderes acrescidos conferidos pelo Executivo. No entanto, este fim de semana, o ECO avançou que a Anacom admite uma alternativa que já foi proposta nos EUA: ceder espetro às operadoras para aumentar a largura de banda, acelerando a velocidade das ligações à internet aos clientes. Os dados divulgados esta terça-feira representam estimativas da Anacom com base nos dados mais recentes reportados pela Meo, Nos e Vodafone.

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