Covid-19: Calçado terá de repensar a atual cadeia de abastecimento

  • Lusa
  • 21 Abril 2020

Mais de quatro em cada cinco inquiridos (81%) diz que os problemas de abastecimento decorrentes da crise sanitária vão ter impacto a médio termo na localização da produção de calçado, aponta o estudo.

A pandemia de Covid-19 vai obrigar a repensar a cadeia global de abastecimento da indústria do calçado, levando a uma maior diversificação dos países produtores e a uma aposta nos mercados de proximidade, segundo um inquérito divulgado esta terça-feira.

De acordo com a segunda edição do “Business Conditions Survey”, realizado durante o mês de março junto do painel internacional de especialistas do “World Footwear”, mais de quatro em cada cinco inquiridos (81%) considera que os problemas de abastecimento decorrentes da crise sanitária vão ter impacto a médio termo na localização da produção de calçado e só menos de um quinto (19%) entende que a cadeia de fornecimento permanecerá inalterada.

Entre os quatro quintos que antecipam uma reformulação da cadeia de abastecimento, cerca de metade dos inquiridos (42%) diz que as empresas de calçado vão preferir dispersar a produção por diferentes países, de forma a minimizar o risco de disrupções na rede de fornecimento.

Já a outra metade (39%) considera que as empresas optarão por relocalizar a produção para países mais próximos dos mercados de consumo, de forma a encurtar a cadeia de abastecimento.

Entre os inquiridos dos três continentes que concentram a maior parte do comércio do calçado – Ásia, Europa e América do Norte – os norte-americanos são os que estão menos convencidos de que a situação permanecerá inalterada, sustentando a maioria dos inquiridos que as empresas de calçado vão optar por colocar a produção mais próxima dos mercados de consumo.

Pelo contrário, quase um em cada quatro inquiridos da Ásia acredita que os empresários não irão alterar as suas atuais opções de localização da produção.

Quando questionados sobre o impacto da pandemia de Covid-19 no consumo mundial de calçado – e tal como a agência Lusa noticiou no passado dia 14 – os membros do painel internacional de especialistas do “World Footwear” antecipam, em média, uma quebra de 22,5% nas vendas este ano, com menos 5.100 milhões de pares de sapatos comercializados a nível global.

Os inquiridos preveem que a crise sanitária “irá penalizar fortemente o setor de calçado em 2020”, ocorrendo “o cenário mais negativo” na Europa, com uma perda estimada de 27% no consumo, equivalente a menos 908 milhões de pares comercializados.

Já na América do Norte o recuo previsto é de 21% (menos 696 milhões de pares), enquanto na Ásia a queda esperada é de 20% (menos 2.400 milhões de pares).

Segundo as conclusões do estudo, “as perspetivas são globalmente negativas”, mas revelam-se “particularmente más” na Europa, onde nove em cada dez inquiridos antecipa um recuo nas vendas.

Criado em 2019, o painel internacional de especialistas do “World Footwear” recolhe e analisa, semestralmente, informações sobre as condições de negócios nos mercados mundiais de calçado, redistribuindo depois a informação de forma a fornecer uma visão precisa da situação da indústria no plano internacional.

A segunda edição deste inquérito online foi realizada durante o mês de março com base em 129 entrevistas a profissionais do setor, provenientes de 43 países (41% com origem na Europa, 31% na Ásia, 16% na América do Norte e os restantes dos outros continentes), sendo que perto de 40% dos inquiridos estão ligados à produção de calçado, 17% ao comércio e distribuição e 43% a outras atividades do setor (associações comerciais, consultoria e outras).

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 170 mil mortos e infetou quase 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram entretanto a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos, como Dinamarca, Áustria, Espanha ou Alemanha, a aliviar algumas das medidas.

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