Vírus já está a criar problemas de abastecimento nos setores do têxtil, calçado e automóvel

  • Lusa
  • 9 Março 2020

De acordo com António Saraiva alguns setores da economia estão já a ter problemas nas suas cadeias de abastecimento: o têxtil, o setor automóvel, o calçado e o turismo.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, considerou, esta segunda-feira, que perante a incerteza dos impactos da propagação do Covid-19 em Portugal é necessário “ir fatiando as medidas em função daquilo que for a realidade concreta”.

Falando aos jornalistas à entrada de uma reunião em Concertação Social, na qual o tema será discutido entre o Governo e os parceiros sociais, António Saraiva admitiu que alguns setores da economia estão já a ter problemas nas suas cadeias de abastecimento, nomeadamente no têxtil, algum setor automóvel, calçado e turismo.

“É um problema que não está devidamente quantificado, não sabemos o que teremos pela frente, quer em termos temporais, quer em termos de pessoas envolvidas. Temos que ir fatiando as medidas em função daquilo que for a realidade concreta com que se nos vier a deparar”, disse.

O presidente da Confederação do Turismo Português, Francisco Calheiros, também falou aos jornalistas à entrada na reunião, onde estão presentes os ministros da Agricultura, Economia e Trabalho, referindo-se à “incerteza” sobre o desfecho da situação e apelando à calma.

O responsável escusou-se a indicar números relativos à situação do setor em Portugal, mas admitiu que o cenário piorou na última semana com cancelamentos de viagens, especialmente no que diz respeito a grupos.

Sobre a linha de financiamento apresentada pelo Governo na semana passada de 100 milhões de euros para ajudar as empresas afetadas pelo impacto da propagação do novo coronavírus, Francisco Calheiros disse que prefere esperar pelas medidas que o Governo vai apresentar aos parceiros, mas adiantou que “a linha é manifestamente insuficiente, 100 milhões não chegam”.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3.800 mortos. Cerca de 110 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram. Nos últimos dias, Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 366 mortos e mais de 7.300 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia. Para tentar travar a epidemia, o Governo de Roma colocou cerca de 16 milhões de pessoas em quarentena no Norte do país, afetando cidades como Milão, Veneza ou Parma.

Portugal regista 31 casos confirmados de infeção, segundo os dados mais recentes. Todos os infetados, 18 homens e 12 mulheres, estão hospitalizados. A DGS comunicou também que 447 pessoas estão sob vigilância por contactos com infetados.

Face ao aumento de casos, o Governo ordenou a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte. Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino secundário e universitário no Norte, bem como duas escolas na Amadora e uma em Portimão.

Em Felgueiras e Lousada, foram encerrados ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas, além de todas as escolas. Os residentes naqueles dois concelhos do distrito do Porto foram aconselhados a evitar deslocações desnecessárias.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou no domingo um período de isolamento de duas semanas em casa, depois de ter estado com alunos de uma escola de Felgueiras onde foi detetado um caso de infeção.

Apesar de não ter sintomas da doença, Marcelo Rebelo de Sousa, 71 anos, vai fazer hoje um teste ao Covid-19.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Vírus já está a criar problemas de abastecimento nos setores do têxtil, calçado e automóvel

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião