Banca já concedeu mais de 210 mil moratórias a famílias e empresas

Os principais bancos portugueses já receberam mais de 210 mil pedidos para suspender o pagamento das prestações durante a crise do coronavírus. Valor do crédito chega aos 18,9 mil milhões de euros.

Os principais bancos portugueses receberam mais de 210 mil pedidos de moratórias de clientes em dificuldades por causa da pandemia do novo coronavírus, e cujos contratos de empréstimos equivalem a mais de 18,9 mil milhões de euros.

Ainda não passou um mês desde que o Governo implementou a moratória pública para permitir que famílias e empresas afetadas pela crise do coronavírus possam beneficiar da suspensão do pagamento das prestações durante seis meses. Esta moratória pública abrange dois tipos de contratos: habitação própria permanente e empresas. Entretanto, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) criou uma moratória privada para incluir os créditos que ficaram de fora: crédito ao consumo, segunda habitação e emigrantes, por exemplo.

Os banqueiros que foram ao Parlamento explicar a resposta dos bancos à crise sublinharam que milhares e milhares de famílias e empresas já recorreram a este mecanismo. Alertaram, porém, que vai ser necessário alargar o prazo das moratórias para lá dos seis meses, isto porque o impacto da pandemia do Covid-19 na economia se vai sentir por mais tempo.

80 mil moratórias no BCP no valor de 4,5 mil milhões

O BCP é quem conta o maior número de pedidos de moratórias: cerca de 80 mil. Equivalem a 4,5 mil milhões de euros em crédito que o banco concedeu no passado, precisou o CEO do banco, Miguel Maya.

“Em termos de moratórias, o BCP tem 25 mil moratórias, números redondos, no montante de cerca de 2,2 mil milhões. A particulares, entre a moratória do Estado e a moratória da APB, tem 55 mil moratórias no montante de 2,3 mil milhões”, declarou Miguel Maya.

Face ao elevado volume de pedidos a entrar no banco todos os dias, Miguel Maya adiantou que tem funcionários a trabalharem durante o fim de semana e ainda 80 robôs a ajudar para acelerar todo o processamento dos documentos.

Santander dá 70 mil moratórias no valor de 7,5 mil milhões

No Santander foram concedidas moratórias a cerca de 70 mil clientes, correspondentes a 7,5 mil milhões de euros de crédito. “São clientes que até setembro não vão pagar nem capital e muitos deles não vão pagar juros. Estamos a falar de mais de 20% da nossa carteira a particulares e quase 40% da carteira a empresas, se excluirmos estado e grandes empresas”, explicou Pedro Castro e Almeida, CEO do banco.

O efeito da moratória tem um impacto de 1.000 milhões de euros em prestações de capital e juros que não são pagos pelas famílias e empresas durante os seis meses.

Banco público ajuda 30 mil clientes

Chegaram à Caixa Geral de Depósitos (CGD) mais de 30 mil pedidos para a suspensão do pagamento das prestações dos empréstimos no âmbito da moratória pública, com o valor total de crédito a atingir os 2,4 mil milhões de euros.

Paulo Macedo detalhou estes dados: 20 mil operações de moratórias submetidas por particulares no total de 1,4 mil milhões de euros e ainda quase 10 mil pedidos de empresas no valor de perto de mil milhões de euros. “Depois temos as moratórias da Caixa”, adiantou o presidente da Caixa, sem dar números sobre as moratórias privadas que incidem essencialmente sobre o crédito ao consumo e segunda habitação.

Macedo reconheceu que é um número baixo face ao peso da CGD no mercado de crédito, mas explicou que o banco público tem uma grande base de clientes que são pensionistas e funcionários públicos e que não sofreram com o impacto da crise.

Mais de 30 mil pedidos no Novo Banco

No Novo Banco, António Ramalho revelou que já foram concedidas mais de 31 mil moratórias a famílias e empresas, correspondendo a 4,5 mil milhões de euros de crédito.

O CEO do banco adiantou no Parlamento que os pedidos feitos ao abrigo da moratória legal representa 9,7% do crédito, sendo que 34% apenas requereu uma carência de capital, mantendo-se a pagar os juros.

Nas moratórias voluntárias, que só ficaram disponíveis na semana passada, 99% preferem manterem-se a pagar os juros.

António Ramalho diz que o banco está a ser “extraordinariamente rápidos” a conceder as moratórias. “Se cobrarmos alguma prestação que vamos ter de devolver, vamos devolver“, assegurou o gestor.

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