Teletrabalho na pandemia? Portugal estava acima da média da UE antes do vírus

A pandemia tornou o teletrabalho uma realidade para muitos milhares de trabalhadores. Mas quão comum era o trabalho à distância antes deste surto? Portugal estava acima da média europeia.

Milhares de trabalhadores estão a trabalhar a partir de casa face à propagação do novo coronavírus. E para muitos esta é mesmo a primeira experiência de teletrabalho. De acordo com o Eurostat, só cerca de 5% dos trabalhadores europeus trabalhavam habitualmente à distância, antes desta crise pandémica. Portugal está acima da média europeia, mas fica longe do Estados-membros onde esta modalidade de trabalho é mais frequente: Holanda, Finlândia e Luxemburgo.

Segundo os dados divulgados esta sexta-feira, no ano passado, 5,4% dos trabalhadores da União Europeia, com idades entre os 15 anos e os 64 anos, trabalhavam habitualmente a partir de casa. Esta fatia não tem, de resto, sofrido grandes alterações ao longo dos últimos anos. Em 2012, por exemplo, estava nos 5,5%. Em comparação, a percentagem de trabalhadores que trabalham algumas vezes à distância aumentou três pontos percentuais (p.p.) entre 2009 e 2019: de 6% para 9%.

O Eurostat nota ainda que, no decorrer da última década, a fatia de trabalhadores por conta própria que habitualmente trabalham de modo remoto manteve-se, de forma consistente, acima da fatia de trabalhadores por conta de outrem a experimentar essa modalidade: 19,4% contra 3,2%, em 2019, respetivamente.

Numa análise por faixas etárias, conclui-se, além disso, que mais trabalhadores entre os 50 anos e os 64 anos trabalham habitualmente a partir de casa do que os seus colegas mais jovens.

Entre os Estados-membros da União Europeia, é na Holanda e na Finlândia (ambos com 14,1%) que o trabalho remoto era mais popular, em 2019. Seguia-se o Luxemburgo (11,64%) e a Áustria (9,9%).

Portugal aparecia mais abaixo na tabela em causa, ficando ainda assim acima da média europeia. Por cá, 6,5% dos trabalhadores exerciam as suas funções à distância, mais 0,4 pontos percentuais que em 2018 e mais 0,2 pontos percentuais do que em 2012.

Portugal manteve-se acima da média europeia, nos últimos anos

Fonte: Eurostat

Em contraste, era na Bulgária (0,5%), na Roménia (0,8%) e na Hungria (1,2%) que o trabalho remoto era praticado por uma fatia menor dos trabalhadores, em 2019.

Face à pandemia de coronavírus e à semelhança de muitos outros países, Portugal tornou obrigatória a adoção do teletrabalho, durante o estado de emergência. Isto para as funções compatíveis com o trabalho à distância. De notar que, mesmo a trabalhar remotamente, os trabalhadores mantêm os mesmos direitos em termos remuneratórios, incluindo o subsídio de alimentação.

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