Forall Phones reinventou-se na pandemia. “Estamos a vender muito mais online”

A Forall Phones teve de adaptar o negócio para sobreviver à pandemia. Graças à nova Live Store, prepara-se para fechar o mês de abril com o mesmo volume de negócios que tinha em fevereiro.

José Costa Rodrigues, fundador e CEO da Forall Phones.

A gerir 12 lojas físicas de norte a sul do país, a Forall Phones reinventou-se para conseguir sobreviver à pandemia. A empresa que comercializa telemóveis e acessórios recondicionados convenceu-se a adotar o regime de trabalho remoto e replicou o modelo de loja num novo espaço virtual. Com a nova Live Store, a maior “fatia” do negócio vive agora no mundo digital e em conversa com o ECO, o fundador da marca, José Costa Rodrigues, promete que a iniciativa é para manter mesmo quando a pandemia passar.

“Devo admitir que na Forall se criou uma estrutura séria de trabalho, em que dificilmente aderíamos ao trabalho remoto”, começa por admitir o jovem CEO, que desenhou o conceito desta startup quando tinha apenas 16 anos. Agora, diz-se convertido: “Fomos surpreendidos, porque vemos que a nossa equipa não perdeu a produtividade, não deixámos de tratar os clientes tão bem quanto tratávamos”. Por isso, num futuro em que o isolamento social já não seja a palavra de ordem, José Costa Rodrigues garante que não vai hesitar quando um colaborador pedir para trabalhar um dia ou outro a partir de casa.

Antes da rutura económica provocada pelo Covid-19, a Forall Phones gerava com as lojas físicas cerca de 85% do seu volume de negócios e 15% através da loja virtual na internet, através da venda de artigos em segunda mão, mas sujeitos a uma intervenção técnica especializada. Agora, em plena pandemia, a marca assistiu a uma transição, gerando 85% do volume de negócios a partir da internet e com um valor em absoluto equiparado ao registado em fevereiro. Para tal, foi decisiva a adaptação do modelo de negócio com a criação da nova Live Store.

“Em vez de pormos os colaboradores das lojas da região de Lisboa em lay-off, dissemos assim: ‘malta, calma, vamos trazer-vos das lojas para a sede, vamos montar tal e qual como se fosse uma loja, com balcão, quadros da Forall, o logótipo, um expositor com os acessórios e um expositor com os telemóveis, e vamos montar um suporte com um iPad’. O cliente liga-nos em videochamada e fazemos a venda do produto tal e qual como se o cliente estivesse aqui. Mostramos o telemóvel, os cantos, os riscos e especificamos a diferença entre um e outro. Criámos uma experiência mais humana, ainda que virtual”, explica José Costa Rodrigues.

Este é um exemplo de como a pandemia está a gerar mudanças nas empresas que deverão permanecer muito depois da atual situação pandémica. É o próprio CEO quem o diz: “Quando esta pandemia passar, a Live Store vai ser a nossa nova normalidade de vender telemóveis. Porque o cliente já não tem aquele passinho que lhe faltava dar por falta de confiança. Já não tem de se deslocalizar fisicamente e estar à espera em filas para comprar. Faz tudo numa chamada que, normalmente, dura 15 a 20 minutos no máximo”, garante.

Quando esta pandemia passar, a Live Store vai ser a nossa nova normalidade de vender telemóveis.

José Costa Rodrigues

Fundador e CEO da Forall Phones

Mas a pandemia também gerou algumas dificuldades. José Costa Rodrigues admite o receio em torno do futuro, sobretudo estando aos comandos de uma empresa com 90 trabalhadores, que “tem de pagar salários ao fim do mês”. Apesar de ter mantido as vendas de fevereiro para abril, março foi um mês de dificuldades, com o volume de negócios afundar 10% face a fevereiro, ainda que um crescimento comparativamente com o mesmo mês do ano passado.

Soma-se ainda o facto de ter de continuar a pagar a renda das lojas físicas, apesar de a esmagadora maioria estar, neste momento, encerrada. “O que nos custa de facto é, agora nesta fase, em que temos de fechar as lojas, ter de continuar a pagar as rendas”, admite o fundador da Forall Phones. “Obviamente que estamos a procurar ter algumas reduções, ou seja, se o senhorio puder reduzir periodicamente um pouco a renda e ajudar-nos, mostrar essa boa-fé, nós ficamos agradecidos”, continua, confirmando que esses pedidos já foram feitos “em alguns casos”. No entanto, exclui pedir “reduções totais de renda”, pois “é algo drástico”, diz. “Para alguns senhorios, a loja também é a sua fonte de rendimento”, aponta.

Para o futuro, José Costa Rodrigues mantém o plano de tornar a Forall Phones a principal empresa de produtos recondicionados do país, e não apenas nos produtos Apple. A ambição é alcançar também outros equipamentos, como eletrodomésticos, por exemplo. Mas, até lá, o crescimento é feito com cautela e “passo a passo”. Um desses passos será dado muito em breve, quando a Forall Phones estender a gama de produtos também ao Apple Watch, depois dos iPhones, iPads e MacBooks.

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