Eleven Sports reduz equipa em 25%. Se futebol continuar parado, vai “considerar outras hipóteses”

A Eleven Sports reduziu a equipa portuguesa em até 25% para enfrentar a quebra nas receitas provocada pela pandemia. Se "bola" não voltar a rolar no fim de maio, terá de "considerar outras hipóteses".

Com o futebol profissional parado e a Liga dos Campeões suspensa, a Eleven Sports Portugal está a reinventar-se por causa da pandemia. Mas as contas estão sob maior pressão, até porque o serviço vai continuar a ser gratuito até ao final de maio, e a empresa já teve de tomar uma decisão: a de reduzir a equipa em até 25%, contando agora com 25 colaboradores permanentes em trabalho remoto, disse ao ECO o diretor-geral da empresa.

Numa conversa mais longa, cujo conteúdo será publicado pelo ECO nos próximos dias, Jorge Pavão de Sousa não excluiu recorrer aos apoios criados pelo Governo, incluindo o do lay-off simplificado, num cenário extremo em que o coronavírus impeça o regresso do futebol este verão: “Estamos a avaliar todos os cenários. Já fizemos redução de equipa em duas áreas e estamos a considerar outras hipóteses caso o período de gratuitidade tenha de ser estendido para além de maio e caso as ligas não regressem”, afirmou.

Instado a explicar em que se traduziu a redução das equipas, Jorge Pavão de Sousa indicou ter-se tratado de uma “redução de pessoas em duas equipas específicas da Eleven Sports” em Portugal: “Estamos a falar de 20% a 25% da equipa como um todo e, dentro dessas equipas em específico, mais de 40%”, detalhou.

Eleven Sports aposta em regresso do futebol no final de maio

A Eleven Sports é a detentora dos direitos televisivos da Liga dos Campeões em Portugal. A UEFA tenciona que as competições nacionais de futebol profissional terminem até 2 de agosto, para que a Liga dos Campeões possa terminar até ao final doverno esse mês. Neste contexto, Pavão de Sousa mostrou-se confiante num regresso do futebol às televisões já no final de maio, como antecipou o Governo esta quinta-feira — mas, até lá, e à semelhança da concorrente SportTV, o serviço da Eleven Sports mantém-se gratuito para todos os subscritores.

Nesta fase da pandemia, que tem gerado disrupção na generalidade das empresas e setores da economia, a Eleven Sports Portugal está a apostar em conteúdos de arquivo disponibilizados pelos parceiros, mas também em conteúdos próprios como entrevistas e debates realizados remotamente, no sentido de manter vivo o espírito desportivo da empresa e de preencher as grelhas dos três canais que mantém nas grelhas da Meo, Nos, Vodafone e Nowo, mais as redes sociais.

Já fizemos redução de equipa em duas áreas e estamos a considerar outras hipóteses caso o período de gratuitidade tenha de ser estendido para além de maio e caso as ligas não regressem.

Jorge Pavão de Sousa

Diretor-geral da Eleven Sports Portugal

Contando apenas com a plataforma de streaming proprietária, o serviço gratuito valeu à Eleven Sports um incremento de 25% no número de utilizadores face ao período homólogo. Destes, 65% são clientes que nunca tinham subscrito o serviço e que a empresa quer cativar e converter em clientes pagos num cenário pós-pandemia. Para já, o preço de 9,99 euros deverá ser para manter “até ao final da época” e a expectativa é de continuar a cobrar este valor no futuro. Mas só depois de uma avaliação do impacto financeiro da pandemia é que a empresa avaliará a necessidade de “fazer alguma revisão”.

Receitas da publicidade caem até 50%

No mercado publicitário, a Eleven Sports Portugal registou já uma queda de 30% a 40% e, contando um trimestre até ao final de maio, a queda deverá ser, “provavelmente”, em torno dos 50%. Ainda assim, este negócio ainda está a contribuir para o cash flow da companhia: “Tem a ver com atividades que estamos a fazer junto de alguns sponsors [patrocinadores] no sentido de otimizar comercialmente o canal para o futuro”, referiu o gestor.

Já no que toca às receitas de distribuição, Jorge Pavão de Sousa revelou que a componente variável dos contratos assinados com as operadoras não estão a render à empresa por causa da suspensão do desporto: “Como é óbvio, não estamos a receber a parte variável”, afirmou.

Quanto às componentes fixas dos contratos, “há tranches que estão previstas serem pagas”, indicou. “À data que iniciámos o lockdown [período de quarentena], estava tudo regularizado e estou a contar que, como é óbvio, no futuro, as coisas também se manterão”, sinalizou o líder da Eleven Sports no país.

Eleven Sports pode pedir extensão de contratos

No plano da relação da empresa com os parceiros que comercializam os direitos televisivos, como é o caso da UEFA, a Eleven Sports vai esperar pelo final da atual situação pandémica. Mas, depois, espera que seja possível uma negociação com vista à revisão dos termos.

“Não estamos a dialogar ainda a revisão porque, neste momento, acho que o mais preocupante é termos a capacidade de entender em que condições de segurança para os intervenientes [podem ser retomados os jogos de futebol]”, disse Jorge Pavão de Sousa. “Depois disso, temos, de facto, todos, de avaliar impactos, e perceber como é que isto é gerido”, afirmou o gestor. Uma das hipóteses poderá passar por pedir a extensão do prazo de alguns contratos, embora nenhuma decisão esteja tomada.

Para explicar o racional, o diretor-geral da Eleven Sports Portugal deu um exemplo fora do mundo do futebol: o contrato de direitos televisivos que foi assinado com a Fórmula 1 previa a transmissão de 22 provas. Porém, no melhor dos cenários, existirão apenas 15 corridas. “O valor económico de 15 corridas há de ser distinto do valor económico de 22 corridas. O valor económico de 22 corridas em nove meses há de ser distinto do valor económico de 15 corridas em seis meses”, rematou.

(Nota de edição: Numa versão anterior, no penúltimo parágrafo, lia-se que “uma das hipóteses poderá passar por pedir a extensão do prazo do contrato da Liga dos Campeões”. A frase foi reformulada para clarificar que esse pedido poderá referir-se a outros contratos de outras ligas e não, concretamente, ao da Liga dos Campeões)

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