Procura de conservas dispara com país confinado. Vai ser “um ano de crescimento” na Ramirez

Para responder à procura desenfreada por conservas, a Ramirez nunca parou de produzir. Presidente garante que 2020 será um ano de crescimento e que março registou um crescimento superior a 300%.

Mesmo com o evoluir da pandemia, existem setores em Portugal que não podem parar, muito pelo contrário, tiveram que intensificar a produção para responder à procura desenfreada por determinado produto. Um desses exemplos é a Ramirez. Considerada a mais antiga indústria de conservas do mundo em laboração, a empresa que não pode funcionar em teletrabalho revela um crescimento brutal nas vendas com os portugueses em confinamento.

“Nós estamos a trabalhar desde o primeiro dia para responder a uma procura maciça. Março foi um mês completamente atípico onde atingimos um pico muito forte em relação às encomendas, muito acima do que é normal”, explica o presidente da conserveira, Manuel Ramirez.

“Só no mês de março o crescimento superior a 300%”, diz. Garante ao ECO que “este será, sem dúvida, um ano de crescimento tendo em conta o boom deste primeiro trimestre“, destaca o presidente da empresa, que pertence à quarta geração da família.

Para responder à crescente procura, a Ramirez que conta com uma equipa de 230 colaboradores e 11 linhas de produção, elaborou um plano de contingência mesmo antes de ser declarado estado de emergência, nomeadamente a medição da temperatura diária de todos os funcionários, obrigatoriedade de uso de máscaras e luvas e distanciamento social.

Na ótica do presidente da Ramirez, precaução é a palavra de ordem. “As medidas de contingência são essenciais e podem poupar muitas vidas”, destaca Manuel Ramirez, em entrevista ao ECO para os Gestores em teletrabalho. Refere ainda que a medição da temperatura dos colaboradores é um tema que está a causar mediatismo tendo em conta o seu aspeto legal, o que na sua ótica não faz qualquer sentido até porque “é um indicador precioso para evitar contágios“.

A Ramirez conta com 167 anos de existência, três séculos de história e uma herança de cinco gerações. O seu portefólio conta mais de 70 referências de enlatados, desde o atum à sardinha. A empresa produz atualmente cerca de 50 milhões de conservas por ano para mais de 55 países. Só da fábrica de Matosinhos, saem em média, 600 camiões por ano. Bélgica, África do Sul, França, EUA, Inglaterra, Canadá e Brasil são os principais mercados da conserveira.

Manuel Ramirez, de 78 anos, está nos comandos da empresa há cerca de 50 anos, mas garante que esta pandemia é “algo que nunca viveu na vida e que veio mudar o paradigma do mundo”, destaca Manuel Ramirez,

“Tudo indicava que estávamos perante uma mudança muito antes de surgir o Covid-19. O mundo estava a chegar a um ponto de rutura. Isto é uma lição para a humanidade”, conclui o presidente.

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