Halving? Fenómeno raro cortou para metade emissão de Bitcoin

Esta segunda-feira repetiu-se um fenómeno raro na Bitcoin que já não acontecia há quatro anos. O ritmo de emissão de novas moedas foi cortado para metade.

A emissão regular de novas Bitcoins foi cortada para metade esta segunda-feira, repetindo-se um fenómeno programado que já não acontecia desde 2016. Como era esperado, a remuneração “paga” por cada conjunto de transações processado (block) é agora de 6,25 Bitcoins.

Em causa está um fenómeno conhecido por halving, previsto no código que faz a Bitcoin funcionar e que se repete a cada quatro anos. Este acontecimento técnico visa reduzir gradualmente a velocidade de emissão de novas unidades da moeda, eventualmente até 2140, ano em que deverá ser atingida a oferta máxima de 21 milhões de Bitcoins a circularem no mercado.

O halving ocorreu às 20H23 desta segunda-feira, 11 de maio, em linha com o que era amplamente antecipado, no instante em que foi processado o conjunto de transações número 630 mil. O valor da Bitcoin, que tem vindo a aumentar na expectativa deste fenómeno, está a cair 3,06%, para 8.497,45 dólares, depois do pico de 10.075 dólares atingido na semana passada e quase três anos depois do máximo histórico de quase 20.000 dólares alcançado no final de 2017.

A partir daqui, a atividade de minerar Bitcoin — um processo descentralizado em que milhões de computadores tentam resolver complexas equações matemáticas por tentativa e erro e em que o “vencedor” processa a transação e é remunerado por isso — fica mais complexa e menos atraente do ponto de vista do retorno sobre o investimento.

Halving pode continuar a influenciar preço da Bitcoin nos próximos dias

Excluindo o dia histórico de 17 de dezembro de 2017, em que a Bitcoin tocou máximos de quase 20 mil dólares a unidade, esta segunda-feira, 11 de maio, tem sido considerada por alguns meios especializados como a “data mais importante” para o futuro da Bitcoin. Mas, para entender porquê, importa primeiro compreender como funciona a criptomoeda mais famosa do mundo.

Como já aqui explicou o ECO, a Bitcoin assenta numa tecnologia desenvolvida por um anónimo, ou anónimos, apresentada em 2007 e chamada de blockchain. Por não ser regulada por um banco central, a Bitcoin foi desenhada para funcionar num sistema descentralizado, em que milhões de computadores em todo o mundo processam as transações através da resolução, por tentativa e erro, de complexas equações matemáticas.

Quanto mais computadores estiverem ligados à rede, mais complicadas ficam essas equações. Este é, também, o mecanismo que permite a introdução de novas unidades de Bitcoin no mercado: sempre que um block é processado (na gíria diz-se “minerado”), as transações que fazem parte desse block são concluídas e o proprietário do computador responsável é remunerado com uma quantia fixa de Bitcoin — de outra forma, não teriam incentivo para levar a cabo esse trabalho, que além escala, exige enormes quantidades de energia elétrica.

Desde meados de 2016 e até esta segunda-feira, essa quantia fixa era de 12,5 unidades de Bitcoin, o que correspondia a cerca de 112.500 dólares tendo como referência um valor unitário de cerca de 9.000 dólares, o preço a que rondava a Bitcoin nos últimos dias. Ora, esta segunda-feira, depois de minerado o block número 630 mil da Bitcoin, o sistema da criptomoeda reduziu de 12,5 para 6,25 unidades a remuneração “paga” a quem se dedica à atividade de “processar” estas transações, como era esperado.

Este acontecimento técnico é conhecido por halving, e significa que a remuneração por block processado cai para metade. Acontece periodicamente, a cada 210 mil blocks processados, ou de cerca de quatro em quatro anos, e está previsto desde sempre no código que permite à Bitcoin funcionar.

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