Pandemia não travou Brexit. Arranca terceira ronda de negociações

O Reino Unido e a União Europeia continuam as negociações para definir a relação futura. O período de transição termina a 31 de dezembro, e Boris Johnson já garantiu que não quer prolongar o prazo.

A pandemia veio virar o mundo do avesso, fazendo travar economias um pouco por todo o mundo. No entanto, o relógio não parou e por isso há processos que têm que continuar em marcha. É o caso da saída do Reino Unido da União Europeia, com a terceira ronda de negociações a arrancar esta semana, para se chegar a um acordo até ao final do ano.

Nem o facto de algumas das principais figuras deste caminho, o negociador-chefe da União Europeia, Michel Barnier, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, terem sido infetados com o novo coronavírus levou a um congelamento das negociações, sendo que as discussões foram apenas brevemente suspensas.

O Brexit tem um calendário apertado, já que os blocos têm até 31 de dezembro para definir as relações futuras. É essa a data que marca o fim do período de transição. Este período pode ser prolongado, por um ou dois anos, mas tal tem de ser requisitado até ao final de junho. A União Europeia tem vindo a defender que o prazo deveria ser prolongado, mas o Reino Unido tem sempre contrariado uma extensão do prazo.

Uma das diferenças nas negociações que adveio do vírus é que estas estão a decorrer por videoconferência. Esta que é já a terceira ronda arrancou esta segunda-feira com um plenário, terminando na sexta-feira. Na agenda estão temas como comércio de bens, pescas, mobilidade e energia.

No arranque desta nova ronda, Michel Barnier escreveu no Twitter que são precisos “progressos tangíveis em todas as áreas, incluindo padrões de concorrência abertos e justos”. O negociador chefe indica também que terá de ser encontrado “um equilíbrio apropriado entre direitos e obrigações”.

No entanto, as expectativas para estas negociações estarão baixas. Responsáveis da UE dizem que os britânicos não deverão ceder nestas conversas, e que não será dado um passo em frente, ao Politico (acesso livre, conteúdo em inglês). Já nas últimas rondas, o progresso foi “dececionante”, disse Barnier, na altura, acusando também os britânicos de atrasar as negociações.

O negociador-chefe reiterou também que só seria alcançado um acordo se o Reino Unido negociasse as pescas. O Reino Unido também admitiu que só tinham alcançado progresso “limitado”. Entretanto, o principal negociador britânico para a saída da UE, David Frost, já adiantou no Twitter que tinham partilhado rascunhos de propostas legais com Bruxelas que “cobrem todo o terreno das negociações”.

A próxima fase de conversações está marcada para 1 de junho. Para esse mês está também prevista uma cimeira entre os dois blocos, onde deverão decidir se o prazo será prolongado ou não. De salientar que, mesmo antes do coronavírus, o prazo já era considerado apertado para as principais figuras europeias. Em dezembro, Ursula von der Leyen sinalizou estar “seriamente preocupada” com o curto período para negociar o Brexit.

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