Quanto custa carregar um telemóvel, um computador e um frigorífico em Portugal? E na UE?

Juntos, estes três aparelhos podem custar mais de 173 euros/ano em eletricidade em Portugal. Para uma família em teletrabalho e telescola, quatro computadores ligados à corrente gastam 500 euros/ano.

Agora que estamos mais tempo em casa, e que o teletrabalho é uma tendência que parece ter vindo para ficar, há vários aparelhos que antes consumiam quase toda a sua energia no escritório — como o computador e o telemóvel — e que passaram a estar sempre ligados à tomada lá de casa e a pesar diretamente na fatura da luz da família.

O consumo doméstico de energia elétrica está, de facto, a aumentar, mostram os números mais recentes da EDP (que acumula em Portugal um milhão de clientes no mercado regulado e cerca de 80% dos cinco milhões de clientes do mercado livre): no primeiro trimestre de 2020, as famílias representaram 41% da procura de eletricidade, com o seu peso a aumentar consideravelmente no mix de consumo, revelou a empresa. A Deco tinha já estimado que, com as famílias a passar mais tempo entre quatro paredes por causa da pandemia de Covid-19, o seu consumo aumentaria cerca de 20%, com a fatura a crescer algures entre os seis e os 25 euros, dependendo se têm tarifas simples ou bi-horária.

Mas, afinal quanto custa o carregamento de um computador ou de um telemóvel, em euros, ao fim de um ano? E os outros eletrodomésticos que estão sempre a trabalhar, ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, como o frigorífico?

O ECO fez as contas com base nos dados divulgados a semana passada pelo Eurostat, sobre os preços médios da eletricidade nos 27 países da União Europeia. Tudo somado, estes três aparelhos — um computador, um telemóvel e um frigorífico — custam anualmente em eletricidade 173,4 euros ao orçamento familiar.

E qual deles é o mais caro? Precisamente a ferramenta que mais utiliza em teletrabalho: ao fim de 12 meses um computador ligado à corrente terá gasto 573 kWh para trabalhar 12 horas por dia (8h de uso em horário laboral e 4h em stand by), o que dá 125 euros por ano.

No caso de dois adultos em teletrabalho e duas crianças em telescola, cada um com o seu próprio computador, estamos a falar de algo como 500 euros num ano só em eletricidade. Por mês são 41,6 euros.

Com a eletricidade mais cara da Europa (quase 30 euros por 100 kWh), na Dinamarca o mesmo computador em teletrabalho custaria 167,3 euros por ano, enquanto na Bulgária (menos de dez euros por 100 kWh) este valor seria mais de três vezes inferior, apenas 55 euros.

De acordo com o Eurostat, Portugal foi o terceiro país da UE onde o preço da luz mais baixou (-4,9%) no segundo semestre de 2019. Ainda assim, o país está no top dos mais caros: tem a quarta eletricidade mais cara da União Europeia para consumo doméstico, em termos de poder de compra das famílias (a seguir à Roménia, Alemanha e Espanha). A culpa é dos impostos, diz a ERSE, que pesam 49% na fatura.

Em média, as famílias portuguesas pagaram 21,8 euros por 100 kWh de eletricidade no segundo semestre de 2019. Considerando apenas este valor, a fatura nacional é a oitava mais cara entre os europeus.

A partir deste valor médio — 21,8 euros por 100 kWh — o ECO fez as contas para descobrir quanto custa ter o frigorífico ligado à corrente durante um ano, sem interrupções. De acordo com o portal Poupa Energia da Adene, os frigoríficos e combinados são dos eletrodomésticos que maior consumo de energia elétrica representa nas habitações. E mesmo não tendo uma potência elevada (200 W), este equipamento tem um consumo considerável uma vez que se encontra ligado permanentemente (apenas é desligado para limpeza ou em períodos de ausência prolongada). Deste modo, numa base anual, o seu consumo é superior ao de equipamentos de elevada potência e de utilização pontual, como um secador (2000 W), diz o Poupa Energia.

Para começar, vale a pena substituir o seu frigorífico antigo por um combinado classe A+++, já que poderá obter reduções anuais nos custos energéticos na ordem dos 70 euros, diz o mesmo portal. Tendo por base um aparelho com esta classificação energética (a melhor de todas), com um consumo anual de 193 kWh, o seu custo rondará os 42,1 euros. Por mês são 3,50 euros.

Na Dinamarca, o mesmo consumo anual de eletricidade para o mesmo frigorífico custaria 56,1 euros, enquanto na Bulgária seria de apenas 18,5 euros por ano.

E se vários computadores e um frigorífico são indispensáveis para quem está a trabalhar em casa e em ensino à distância, o mesmo se aplica aos telemóveis, normalmente um, ou até mesmo mais, por cada membro da família.

Olhando para um carregador de smartphone, com carga rápida, descobrimos que o seu output (potência de saída) pode variar entre os 10 e os 15 watts. Partindo do pressuposto que um telemóvel fica todos os dias ligado a este carregador durante a noite (cerca de 8 horas), então o seu consumo anual será de 29,02 kWh. Em euros são 6,3 ao fim de um ano, 52 cêntimos por mês. Mais uma vez, aqui convém multiplicar este valor pelo número de aparelhos num único lar. Para uma família de quatro, são 25 euros num ano.

Na Dinamarca, carregar um smartphone custa 8,47 euros por ano e na Bulgária apenas 2,8 euros.

De acordo com o Eurostat, na segunda metade do ano passado a eletricidade mais cara foi registada na Dinamarca (29,2 euros por 100 kWh), Alemanha (28,7 euros) e Bélgica (28,6 euros), com a média europeia muito abaixo desses valores, a rondar os 21,6 euros.

No extremo oposto, a eletricidade é mais barata na Bulgária (9,6 euros por 100kWh), Hungria (11 euros) e Lituânia (12,5 euros).

Finlândia, Luxemburgo, Malta, França, Suécia, Estónia, Hungria e Países Baixos são os países onde a fatura menos pesa face ao orçamento família, face ao poder de compra.

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