Três em cada quatro gestores dizem que pandemia trouxe mais horas de trabalho

No pós-pandemia, os gestores preferem regressar ao escritório, acreditam que os trabalhadores serão fieis à empresa e que o online veio para ficar, revela um inquérito da AESE Business School.

Três em cada quatro gestores e responsáveis por empresas em Portugal — e que neste momento se encontram em regime de teletrabalho — acreditam que a pandemia trouxe mais horas de trabalho. Desse tempo, cerca de metade foi gasto em reuniões online e, de acordo com os gestores, este tipo de reuniões traz a mesma ou ainda mais produtividade do que as reuniões presenciais. A produtividade parece, igualmente, não variar muito quando comparada a atividade normal em escritório e em teletrabalho.

Estes são alguns dos resultados do inquérito a gestores e executivosImpacto da Pandemia da Vida Pessoal e Profissional“, apresentado esta segunda-feira pela escola de negócios AESE Business School, e que recolheu 608 respostas entre 4 e 7 de abril.

Formações e reuniões online vão crescer

Durante o período de pandemia, 34% dos gestores garante ter feito formação online, sendo que os restantes 60% afirmaram não ter tempo ou não gostar (6%). Dos 60% que refere ter falta de tempo, 70% são do sexo feminino, o que mostra que as mulheres têm menos tempo disponível. Para o futuro, a maioria considera que as sessões de formação e as reuniões online se vão manter ou até aumentar.

Relativamente ao trabalho de equipa, não deverá sofrer alterações: metade dos inquiridos (50%) considera que se vai manter igual e 48% considera que vai aumentar.

No que respeita à conciliação vida familiar com o teletrabalho, a maior parte dos inquiridos considera que tem sido “difícil, mas consegue” e, no geral, consideram-na “uma experiência positiva”. Neste tópico, há mais mulheres a considerar o teletrabalho, apesar de serem elas quem tem mais dificuldade em gerir este equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Do total de inquiridos, 30% considera não ter tido quaisquer problemas em conciliar a vida pessoal e profissional, sendo que 17% das mulheres inquiridas considera que tem sido “muito difícil” garantir este equilíbrio, em contraste com 10% de inquiridos do sexo masculino. Contudo, quando questionados sobre se gostariam de voltar ao escritório, são mais as mulheres quem pondera continuar em regime de teletrabalho. Num contexto pós-pandemia, tanto homens (90%) como mulheres (80%) garantem não preferir o teletrabalho.

Um futuro incerto

O inquérito revela que a perspetiva dos gestores sobre a retoma de atividade e poder de compra para valores próximos do período pré-pandemia, não será inferior a um ou dois anos, variando conforme os setores de atividade. Para a maioria dos responsáveis, serão necessários seis meses para as empresas recuperarem a normalidade.

É o caso do setor do comércio online, que registou um aumento muito acentuado durante a pandemia e deverá manter-se assim, sendo que 93% considera que haverá mais compras através da internet. 69% considera que, no futuro, a tendência será comprar sem experimentar.

A maioria dos responsáveis de empresas acredita que a sua vida vai mudar, mas quase 70% mostra sentimentos de incerteza em relação ao futuro. Por exemplo, 93% dos inquiridos acredita que os trabalhadores se vão manter nas empresas no período pós-pandemia e 7% refere que poderão vir a desenvolver o seu próprio negócio. Apesar da incerta, 40% dos gestores considera que o mundo vai ficar melhor, sendo que aqui os homens são mais otimistas do que as mulheres.

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