Borrifadores de álcool, tapetes desinfetantes e kits de proteção. Como a Novabase prepara o regresso ao escritório

Tecnológica Novabase prepara-se para voltar, gradualmente, a trabalhar a partir do escritório. O plano está fechado mas, como em muitas empresas, ainda sem data de implementação.

À entrada, um cenário digno de um filme de ficção científica. O segurança, com a lição estudada, será o executante de um plano pensado por uma equipa multidisciplinar que junta contribuições das áreas do marketing, comunicação, jurídica, de recursos humanos, logística e de IT. O objetivo? Garantir que, mesmo voltando ao escritório, espaço habitual de trabalho no pré-Covid, todos os trabalhadores se sentem seguros.

Mal cheguem — numa data ainda a determinar –, o processo repete-se: a entrada é feita pela porta principal ou pela garagem — os primeiros a chegar são os primeiros a estacionar — e a identificação deixou de ser com contacto físico e passa a ser feita com um cartão. Depois os trabalhadores passam por um tapete desinfetante — que tratará de garantir a limpeza dos sapatos — e são borrifados com álcool. A medição da temperatura — via câmara ou com uma pistola — será o terceiro passo deste processo que não deverá tardar mais de 30 segundos. “A ideia é que todos sintam que estão a entrar para uma zona segura, e a saída será sempre feita pela porta da garagem”, detalha Nelson Teodoro, diretor de marketing da Novabase.

Se, em meados fevereiro, a Novabase criou um grupo de contingência com representantes de várias áreas relevantes no negócio — para preparar o plano que culminou em teletrabalho para a quase totalidade dos trabalhadores –, é agora hora de olhar para o regresso ao “novo normal”.

Entrada na Novabase vai ser feita pela porta principal ou pela garagem mas saída será feita apenas pela garagem.Novabase/D.R.

“Nunca imaginámos estar na situação em que estamos hoje, com quase 99,9% da equipa em teletrabalho. Na altura, quando pensámos o plano de contingência, tinha um foco diferente. Tinha as várias fases mas que foram determinadas pelo evoluir das coisas. Nunca pensámos num regresso faseado”, confessa Nelson Teodoro, responsável pela implementação do plano. E, tal como a transição das equipas para o teletrabalho não foi feita de um dia para o outro, o plano de regresso também contempla um processo faseado com 30, 50, 70 e 100% dos 2.000 trabalhadores de volta ao escritório.

O plano, válido para Portugal, Espanha, Holanda, Reino Unido e Angola, terá três focos essenciais: na infraestrutura, nas pessoas e na comunicação. Para a preparação do edifício, a empresa tenciona apostar em medidas de limpeza forte, desinfeção de todos os edifícios e validação e manutenção dos sistemas de ventilação. Nas salas de reuniões, todas as tomadas ficarão em cima das mesas para evitar ao máximo o contacto. Todos os trabalhadores terão equipamento de proteção individual e a entrega de encomendas será reduzida ao mínimo possível. Haverá também sinalética com o limite de pessoas por zona, a circulação no edifício será feita sempre pela direita para evitar o cruzamento de pessoas e as mesas terão assinalados os lugares onde as pessoas devem colocar-se. O álcool gel será presença assídua tanto nas mesas de trabalho como perto de objetos usados por todos, como micro-ondas ou impressoras.

“Criámos o conceito do cleaning on demand: ligo para a equipa nova e estas pessoas garantem que a sala de reuniões, por exemplo, está limpa antes de eu entrar”, explica ainda o responsável.

Na pilar do plano relacionado com as pessoas, a ideia é que “antes do que quer que seja em termos de ação, tem de haver propósito”. Isto significa que o regresso não será feito “porque a liderança quer, mas porque é considerado necessário para o negócio, um requisito para funcionarmos melhor”, acrescenta Nelson Teodoro. “Damos guidelines mas quem tem a decisão do que fazer à equipa é o gestor de projeto. Tem a ver com projetos e produtividade, necessidade de foco ou de interação direta com as pessoas e com o facto de o processo de decisão ser melhorado através de uma necessidade física”. No entanto, garante o responsável, a primeira orientação é sempre “privilegiar o trabalho a partir de casa”.

As equipas vão poder ser geridas com horários por turnos, consoante as necessidades, e a cada trabalhador que regresse ao escritório vai ser dado um kit de proteção individual que inclui uma viseira, máscaras, toalhetes desinfetantes, luvas e gel individual. “As pessoas só são obrigadas a usar máscaras em zonas de circulação e partilhadas”, assinala. As deslocações e viagens serão avaliadas mais detalhadamente, assim como as pessoas pertencentes a grupos de risco.

Outra aposta será na comunicação interna: para isso, a informação será entregue aos trabalhadores mediante a data de abertura e estará disponível na intranet da empresa. Serão dados detalhes através de um webcast com espaço para perguntas. “A comunicação aumentou bastante nos últimos tempos”, assinala.

“Temos o plano mas não temos as datas”, salvaguarda o diretor de marketing da tecnológica. “No limite, reforço, se as coisas estiverem a funcionar bem a partir de casa não há necessidade de voltar ao escritório. Em equipa que ganha não se mexe”, assinala, sublinhando: “Se calhar já não vai ser necessário voltarmos aos 100% no escritório”.

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