Falha de comunicação esclarecida. Costa reafirma confiança em Centeno

Depois da polémica autorização do Ministério das Finanças à transferência dos 850 milhões de euros para o Novo Banco, Costa e Centeno estiveram reunidos em São Bento. Centeno vai continuar no cargo.

António Costa e Mário Centeno estiveram reunidos depois da polémica em torno da polémica autorização do Ministério das Finanças à transferência dos 850 milhões de euros para a injeção do Fundo de Resolução no Novo Banco. Encontro, que durou cerca de três horas, permitiu, segundo o comunicado do gabinete do primeiro-ministro, esclarecer a “falha de comunicação” que existiu entre ambos. Costa “reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política” em Centeno.

Primeiro-ministro e ministro das Finanças saíram da reunião em São Bento por volta das 23h00, despedindo-se com sorrisos antes de entrarem cada um nos seus automóveis. Sem falarem à comunicação social, Costa e Centeno emitiram um comunicado sobre o conteúdo deste encontro onde explicam foram abordados vários temas, incluindo o Novo Banco.

Tratou-se de “uma reunião de trabalho no quadro de preparação do Eurogrupo”, mas também de alinhamento do orçamento suplementar que o Governo terá de apresentar perante a crise provocada pela pandemia. Contudo, também serviu para, de acordo com esse mesmo comunicado, esclarecida a “falha de comunicação” entre Costa e Centeno em torno da autorização do “cheque” para o Novo Banco.

Ficaram esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou”, refere a nota emitida após a reunião, replicada num tweet de António Costa juntamente com várias fotos do encontro.

Além disso, lembra que as contas do Novo Banco, que exigiram esta nova injeção, foram previamente auditadas. “As contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo”. Nota, contudo, que “este processo de apreciação das contas do exercício de 2019, não compromete a conclusão prevista para julho da auditoria em curso a cargo da Deloitte e relativa ao exercício de 2018, que foi determinada pelo Governo”.

Recorde-se que Costa tinha dito que só seria feita a transferência da verba para o Fundo de Resolução, que depois procede à injeção na instituição liderada por António Ramalho, após a conclusão da auditoria ao banco. Contudo, a autorização acabou por ser dada antes, a 6 de maio, no que Centeno se referiu como sendo uma “falha de comunicação”. Esta quarta-feira, o ministro das Finanças disse que, afinal, Costa sabia da operação. “Não, não foi à revelia do primeiro-ministro”, afirmou no Parlamento.

Costa não se pronunciou, mas Marcelo Rebelo de Sousa demonstrou o seu desagrado com o facto de ter sido validada a transferência antes do que tinha sido prometido pelo primeiro-ministro. Durante uma visita conjunta com António Costa à Autoeuropa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Costa “esteve muito bem no Parlamento quando disse que fazia sentido que o Estado cumprisse a as suas responsabilidades, mas naturalmente se conhecesse a conclusão da auditoria” ao Novo Banco.

Depois da posição de Marcelo, Rui Rio veio aumentar a pressão sobre Centeno. Depois de uma publicação no Twitter, o presidente do PSD veio afirmar, em direto, que se fosse primeiro-ministro e tivesse um ministro como Mário Centeno, “que fez o que fez”, “teria de se demitir ou então ser demitido”. Salientou que foi “irresponsável não esperar para se pagar ao Novo Banco. Face a isto, Centeno não tem condições para continuar”, afirmou o social-democrata.

"Ficaram esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou.”

Gabinete do primeiro-ministro

“Estou a dizer o que eu faria, mas tem de ser o Governo a decidir”, referiu Rio. Apesar das críticas do PSD, o PS defendeu Centeno. João Paulo Correia considerou as declarações de Rio “abusivas” e “repugnantes”. “O ministro das Finanças tem feito um trabalho notável ao serviço do país. E para o PS, nunca esteve nem está em discussão esse tipo de situação”, disse o responsável do PS, acrescentando que Rio apenas “quis desviar o assunto do debate desta tarde — em que o PS pôs dedo na ferida — da responsabilidade do PSD quando prometeu ao país um banco bom”, o Novo Banco.

(Notícia atualizada com mais informação)

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