TAP tem de pagar 8,75 milhões aos pequenos investidores. Empresa diz que “tem liquidez”

Companhia aérea tem 200 milhões de euros em obrigações no mercado e, dentro de um mês, terá de pagar juros desses títulos. Apoio do Estado ainda não chegou e é esperado em "meados" de junho.

Com grande parte da frota parada em terra e 90% dos trabalhadores em lay-off, as dificuldades financeiras da TAP estão a agravar-se e prestes a aumentar. A companhia aérea vai ter de pagar, a 24 de junho, 8,75 milhões de euros em juros a obrigacionistas.

Há um ano, a TAP fechava a sua primeira emissão de obrigações para o mercado retalhista, com a companhia aérea a captar 200 milhões de euros em obrigações. A companhia aérea oferecia uma taxa de juro de 4,375% aos investidores e agora chegou a altura de lhes retribuir.

Na altura, a oferta foi subscrita por 6.092 investidores de retalho (52,5% do total) e 35 institucionais portugueses e estrangeiros. Os obrigacionistas poderão já não ser os mesmos, pois os títulos transacionam em mercado secundário, onde já perderam 16% do valor face aos mil euros por obrigação no momento da emissão, segundo dados citados pelo Público.

Mas o número de obrigações vivas mantém-se e, tendo em conta a taxa oferecida, a TAP vai ter de pagar, a 24 de junho, 8,75 milhões de euros em juros. Questionada pelo ECO sobre a situação financeira, fonte oficial da empresa garantiu que “a TAP tem liquidez para pagar os juros”.

Caso a situação se agrave e a companhia não tenha possibilidade de pagar aos investidores, a TAP pode fazer como o FC Porto e convocar os obrigacionistas para uma assembleia-geral onde lhes peça um adiamento (sendo que as obrigações atingem a maturidade em 2023). Ou então, pode esperar que a intervenção do Estado chegue a tempo.

Admissão à negociação da linha Obrigações TAP 2019-2023 a 19 de junho de 2019.

O Governo está a trabalhar com a administração da TAP numa operação de capitalização da companhia que é detida em 50% pelo Estado, em 45% pela Atlantic Gateway e estão 5% nas mãos de trabalhadores. Na semana passada, o secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo, confirmou no Parlamento que o Governo já recebeu um pedido inicial que “versava sobre várias matérias”, entre elas “a garantia de Estado a um empréstimo que a TAP pretende obter”.

Como o ECO noticiou, além de um empréstimo e da capitalização através de vários instrumentos de capital, o Governo está a preparar uma ajuda de emergência. A intenção é a de transferir, já nas próximas semanas, uma primeira tranche de emergência, para evitar que a TAP entre em incumprimento das suas obrigações, numa ajuda total que deverá rondar os 1.000 milhões de euros.

O ministério das Finanças garantiu, na terça-feira, ao ECO que “não foi feito qualquer empréstimo à TAP“, apontando para as declarações do secretário de Estado na Assembleia da República. Álvaro Novo explicou que a expectativa do Governo é concluir a fundamentação do pedido ainda em maio e de encetar negociações com a Comissão Europeia para que o apoio público se concretize em “meados de junho”.

(Notícia atualizada às 10h20 com resposta da TAP)

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