Alemanha oficialmente em recessão. Mas já vê “luz ao fundo do túnel”

A economia alemã registou no primeiro trimestre a maior contração desde 2009, facto que atira o país para a recessão técnica. Mas o clima de negócios melhorou significativamente em maio.

A Alemanha está oficialmente em recessão. Entre janeiro e março, o Produto Interno Bruto (PIB) alemão caiu 1,9% em termos homólogos e 2,2% em cadeia, reflexo dos efeitos de uma pandemia que quase paralisou a economia mundial.

O desempenho negativo representa a maior queda do PIB desde 2009, segundo a Reuters, e segue-se a uma contração de 0,1% no último trimestre de 2019. Este facto atira o país para uma recessão técnica, conceito que significa dois trimestres consecutivos de contração económica.

Os dados divulgados esta segunda-feira mostram que a contração económica na Alemanha é o reflexo de três fatores, todos eles relacionados ou acentuados com a pandemia. Concretamente, a Alemanha registou uma queda em cadeia de 6,9% no investimento de capital, um recuo de 3,2% no consumo privado e uma descida de 3,1% nas exportações.

Somente a vertente do consumo foi responsável por retirar 1,7% da atividade económica da maior economia da Europa. São números que ficam para a história, depois de um novo coronavírus ter-se espalhado por todo o mundo no arranque de 2020, forçando a generalidade dos países a implementarem apertadas regras de distanciamento social.

Os últimos dados apontam para a existência de cerca de 180 mil casos confirmados de infeção por Covid-19, 162 mil recuperados e mais de 8.300 mortes provocadas pela doença. As autoridades de saúde alemãs encontraram os primeiros casos de Covid-19 no final de fevereiro e as medidas de confinamento começaram a ser impostas em meados de março.

Assim, como só recentemente, já em maio, é que se iniciou o desconfinamento na Europa, estima-se que o PIB alemão deva cair ainda mais neste segundo trimestre. Segundo a Reuters, níveis como os registados antes desta crise sanitária só voltarão a ser vistos, no melhor dos cenários, já em 2021, ou eventualmente em 2022.

Economia alemã vê “luz ao fundo do túnel”

Apesar do desempenho desfavorável, o clima de negócios alemão terá recuperado neste mês de maio, à medida que os países têm levantado as medidas de confinamento e a economia europeia volta a ganhar algum fôlego. O índice de clima de negócios subiu de 74,2% em abril para 79,5 no corrente mês de maio, acima das estimativas dos analistas.

Numa nota, o presidente do instituto IFO, o organismo responsável pela elaboração do índice, afirma que “o sentimento nas empresas alemãs recuperou depois do catastrófico mês anterior”. “As expectativas para os próximos meses melhoraram significativamente”, acrescenta Clemens Fuest, citado pela Reuters.

Já Klaus Wohlrabe, economista do instituto IFO, aponta mesmo que “a economia alemã voltou a ver a luz ao fundo do túnel”. “Mas ainda estamos longe do otimismo”, avisa também.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Alemanha oficialmente em recessão. Mas já vê “luz ao fundo do túnel”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião