Sonae Sierra difere 50% das rendas. Há shoppings que perdoaram tudo

Gestora propôs um diferimento de 50% das rendas durante três meses, menos no Colombo e Vasco da Gama. Mas há quem tenha perdoado tudo.

Alguns proprietários de centros comerciais já decidiram tomar medidas de apoio aos lojistas, tal como estes pediam desde o início da crise. Exemplo disso é a Sonae Sierra, que propôs aos lojistas um diferimento de 50% das rendas durante três meses, mas não em todos os centros comerciais. Enquanto isso, empresas como a Merlin e a Mundicenter perdoaram 100% da renda durante o encerramento.

Encerrados há mais de dois meses, as vendas das lojas dos centros comerciais estão praticamente a zeros. Há muito que os lojistas pedem compreensão e, na semana passada, chegaram mesmo a acusar os proprietários de “falta de solidariedade“. Entretanto, houve alguns recuos, mas uns não são suficientes, adianta ao ECO Miguel Pina Martins, fundador da recente Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR).

O ECO sabe que a Sonae Sierra propôs aos lojistas um diferimento de 50% das rendas durante três meses — março, abril e maio –, uma informação que foi depois confirmada pela associação em questão. Terminado este período, esses três meses têm de começar a ser pagos em janeiro de 2021 e em 24 prestações, confirmou fonte oficial da gestora, ao ECO.

Contudo, para a associação fundada por Miguel Pina Martins, esta é uma medida insuficiente. “Neste momento, a Sonae Sierra está em atraso em relação aos outros [proprietários]. Saudámos [a medida], mas ainda está muito longe das melhores práticas e de outros que têm planos bem mais interessantes”, diz o responsável.

Miguel Pina Martins nota ainda que este diferimento de 50% não está previsto no Colombo nem no Vasco da Gama, detidos em partes iguais pela Sonae Sierra e pela CBRE Global Investors, dado que esses lojistas não foram informados de nada até ao momento. O ECO questionou a Sonae Sierra relativamente a esta falta de informação, mas a empresa não respondeu até à publicação deste artigo.

Este diferimento de 50%, sabe o ECO, foi também adotado pela Square Asset Management nos nove centros comerciais que detém — AlbufeiraShopping, Continente de Portimão, Centro Comercial Continente Telheiras, LoureShopping, CoimbraShopping, Gaia Jardim, Minho Center, Fórum Castelo Branco e Fórum Viseu — e dois retail parks — Montijo Retail Park e Coimbra Retail Park.

Lojistas defendem moratória de seis meses nas rendas

Para a associação que representa os lojistas, até agora tem havido uma negociação com os proprietários. Mas o processo mais simples seria adotar uma “medida legislativa universal”. “A nossa proposta global é legislativa e não faz parte de uma negociação com o centro comercial. Para evitar estas negociações, propomos um congelamento das rendas durante seis meses e daqui a três meses voltaríamos ao normal“, diz Miguel Pina Martins.

O responsável sublinha que não pedem perdão de rendas, mas sim mais tempo. “Queremos pagar um bocadinho mais tarde, estender os contratos para seis meses. Pagamos mais tarde, mas pagamos tudo“, diz.

Para a AMRR, as cedências feitas por estes proprietários só mostram que “o que os lojistas pediam não era nada que não fizesse sentido”.

Merlin, Mundicenter e Ingka perdoam rendas durante encerramento

Miguel Pina Martins diz que enquanto alguns centros comerciais “ainda não chegaram lá”, referindo-se a cedências face aos pedidos dos lojistas, outros “já se movimentaram”, e no bom sentido. Como a Merlin Properties que, depois de ter admitido ao ECO que estava a ponderar uma moratória nas rendas do Almada Fórum, acabou mesmo por decidir perdoar as rendas durante o tempo em que os lojistas estiverem encerrados, cobrando uma “variável” dependendo das vendas feitas nos primeiros meses de abertura.

Outro exemplo foi a Ingka Centres (Grupo Ikea), que também perdoou as rendas do Mar Shopping Matosinhos e Mar Shopping Algarve durante os meses de encerramento, detalha o presidente da AMRR, também CEO da Science4You.

Além disso, também a Mundicenter, detentora de nove centros comerciais no país — Centro Comercial Alvalade, Amoreiras Shopping Center, Arena Shopping, Braga Parque, Campus S. João, Fórum Aveiro, Oeiras Parque, Spaccio Shopping e Strada Outlet — adotou esse perdão durante abril e maio.

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