Tensões entre Washington e Pequim pressionam Wall Street

Os mercados norte-americanos terminaram a sessão em "terreno negativo", com as tensões em torno de Hong Kong e a eventual "retaliação" de Trump contra as redes sociais a pressionarem.

As tensões entre Washington e Pequim em torno do estatuto de Hong Kong e o anúncio de que o presidente dos Estados Unidos irá assinar uma ordem executiva dirigida às redes sociais pressionaram os mercados norte-americanos, esta quinta-feira. Na penúltima sessão da semana, Wall Street fechou as negociações em “terreno negativo”, apesar do otimismo gerado pelo desconfinamento da economia.

O índice de referência, o S&P 500, recuou 0,18% para 3.030,68 pontos. Também o industrial Dow Jones desvalorizou 0,45% para 25.433,77 pontos e o tecnológico Nasdaq desceu 0,42% para 9.372,98 pontos.

A pesar sobre Wall Street, esta quinta-feira, estiveram sobretudo as tensões geradas em torno do estatuto de Hong Kong e a eventual “retaliação” de Donald Trump contra as redes sociais.

No que diz respeito ao primeiro ponto, o presidente dos Estados Unidos prometeu dar uma resposta até ao final da semana à decisão da China de impor uma lei de segurança nacional a Hong Kong, que irá limitar a atividade da oposição política, numa altura em que os protestos pró-democracia ganham voz.

O secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo já notificou mesmo o Congresso de que a administração de Donald Trump já não considera Hong Kong uma região autónoma da China continental. Tal abre caminho à retirada do estatuto comercial e financeiro preferencial de que Hong Kong tem beneficiado.

Já no que diz respeito ao segundo ponto, depois de o Twitter ter verificado os factos de vária publicações de Donald Trump, o presidente norte-americano ameaçou “retaliar”, avisando que irá assinar uma ordem executiva dirigida às redes sociais, com o pretexto de que é preciso zelar pela liberdade de expressão do país. Em reação, os títulos do Facebook recuaram 1,61% para 225,46 dólares e os do Twitter caíram 4,45% para 31,60 dólares.

A evitar maiores perdas nos mercados norte-americanos esteve o otimismo causado pelo desconfinamento. “Devido à reabertura da economia, penso que os investidores estão muito otimistas de que teremos uma recuperação económica em V”, explicou Sam Stovall, da CFRA Research, à Reuters, referindo que esse sentimento tem dado gás aos mercados.

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