BCE prepara reforço de 500 mil milhões na compra de dívida

Banco central reúne-se esta quinta-feira e a expetativa do mercado é que anuncie mais dinheiro para a economia. Perspetiva está a ditar um alívio nos juros das dívidas soberanas europeias.

O poder de fogo do Banco Central Europeu (BCE) contra a pandemia poderá estas prestes a ser reforçado. A instituição liderada por Christine Lagarde vai reunir-se esta quinta-feira e a expectativa do mercado é que anuncie um aumento no programa de compra de dívida, o que está a causar um alívio nos juros das dívidas soberanas.

Os economistas consultados pela Bloomberg antecipam o programa de emergência (PEPP, na sigla em inglês) seja reforçado em 500 mil milhões de euros. Estes iriam juntar-se aos 750 mil milhões que o BCE tem para usar até ao final do ano.

Este é um programa com regras mais flexíveis que os planos de aquisição de títulos de dívida em curso e o objetivo específico de ajudar a financiar a retoma da economia após a crise pandémica. Além deste, continua a funcionar o normal programa de compra de ativos, a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros, aos quais acresce um envelope temporário de 120 mil milhões a ser usado também até ao final do ano.

Segundo os dados recolhidos pela Bloomberg, não se esperam menos do que 500 mil milhões de euros adicionais, podendo até ser mais. A perspetiva está a fazer cair as yields das obrigações do Tesouro de vários países da Zona Euro, incluindo de Portugal. O juro da dívida portuguesa a dez anos negociou esta segunda-feira abaixo de 0,5% pela primeira vez desde o início de março.

Juro das obrigações portuguesas a dez anos cai abaixo de 0,5%

Fonte: Reuters

Além do reforço das compras, alguns analistas esperam que o BCE anuncie, em simultâneo, mudanças ao sistema de escalões introduzido em setembro para minimizar o impacto da taxa de depósitos negativa (em -0,5%) para os bancos.

“É o momento certo para o BCE ajustar o sistema de tiering“, defendeu Frederik Ducrozet, estratega do Banque Pictet & CIE, acrescentando que se o BCE aumentar os limites das reservas excedentários dos bancos que ficam isentos deste juro em oito vezes, poderá conseguir “engendrar uma transferência líquida de vários milhares de milhões de euros para o setor bancário“.

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