BCE tem 142 mil milhões para empresas. Em Portugal, não há dívida privada

Empresas aumentaram o endividamento em fevereiro e março, mas recorreram à banca e não ao mercado de capitais. Houve apenas uma colocou obrigações no mercado, apesar da rede de segurança do BCE.

A bazuca do Banco Central Europeu (BCE) tem permitido a Estados e empresas financiarem-se no mercado para fazer face às necessidades geradas pelo surto de Covid-19. Se o Tesouro português ajustou a estratégia para aproveitar a rede de segurança da instituição liderada por Christine Lagarde, o mesmo não aconteceu com as empresas.

O Programa de Compras de Emergência Pandémica (PEPP, na sigla em inglês) foi lançado em março com 750 mil milhões de euros. Tem regras mais flexíveis que os planos de aquisição de títulos de dívida em curso e o objetivo específico de ajudar a financiar a retoma da economia após a crise pandémica.

Os primeiros dados da execução do programa ainda não são conhecidos, mas o BCE deverá atribuir até 19% do total a dívida privada. Ou seja, um total de 142,5 mil milhões de euros para empresas na Zona Euro, mas em Portugal só há uma empresa a emitir nova dívida: a EDP.

Dados da Dealogic enviados ao ECO indicam que houve apenas duas colocações de obrigações de empresas em Portugal em 2020, num total de 1.493,47 milhões de euros. A primeira em janeiro e a segunda em abril, nas mesmas datas em que a EDP foi ao mercado para emitir nova dívida. Em toda a Zona Euro, houve 168 colocações este ano, nas quais foram emitidos 149.381,89 milhões de euros em obrigações.

O facto de não ter havido outras emissões de dívida não significa, no entanto, que as empresas portuguesas não se estejam a endividar. Pelo contrário. Com o Governo português a lançar linhas de crédito para apoiar a economia, as empresas portuguesas aumentaram a dependência da banca.

Após uma ligeira quebra no endividamento do setor privado em janeiro, este subiu tanto em fevereiro (em 100 milhões de euros) como em março (em 1,7 mil milhões), segundo os últimos dados do Banco de Portugal. A pandemia pode ter exacerbado a situação, mas esta não é nova.

Já no programa de compras de obrigações de empresas do setor privado não-financeiro do BCE (CSPP), a representatividade de Portugal era marginal. “Em 2019, o Eurosistema efetuou compras líquidas para o programa no montante de 7,7 mil milhões de euros. Durante o ano foi realizada uma emissão de ativos elegíveis para o CSPP por um emitente nacional“, revela o relatório de implementação de política monetária do Banco de Portugal.

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