Dívida pública sobe para 120,3% do PIB em março

No primeiro mês em que Portugal começou a implementar medidas para travar o vírus e consequente impacto económico, o peso da dívida pública na economia voltou a aumentar.

A dívida pública portuguesa atingiu 120,3% do PIB em março. No primeiro mês da pandemia, o peso da dívida na economia voltou a aumentar (pondo fim à trajetória decrescente) e atingiu máximos de nove meses, segundo mostram os dados divulgados esta quinta-feira, pelo Banco de Portugal.

O rácio da dívida face ao PIB aumentou 2,6 pontos percentuais face aos 117,7% registados no fim de 2019. O montante nominal até recuou com o stock da dívida na ótica de Maastricht (a que conta para Bruxelas) a situar-se em 254.776 milhões (menos 596 milhões de euros que no mês anterior) devido à saída de dinheiro dos depósitos do Estado.

Os ativos em depósitos das administrações públicas diminuíram em mil milhões de euros, indicando que Portugal está a usar a almofada financeira. Nesse sentido, a dívida líquida de ativos em depósitos das administrações pública registou o sentido contrário: aumentou em 430 milhões de euros para 235.127 milhões.

Efeito da queda do PIB faz disparar peso da dívida

Fonte: Banco de Portugal

Assim, foi principalmente o efeito de queda da economia a castigar o rácio da dívida pública. A estimativa do Instituto Nacional de Estatísticas é que o PIB português tenha contraído 2,4%, em termos homólogos, no primeiro trimestre de 2020. A confirmar-se será o maior tombo desde 2013 e dá quase como certo que a meta do Governo para a dívida não será cumprida.

Antes da pandemia, o Executivo de António Costa esperava um decréscimo da dívida pública para 116,2% do PIB em 2020. No entanto, o vírus vai mudar estas contas. O Governo ainda não atualizou as projeções económicas, mas a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que a dívida pública portuguesa aumente 17,4 pontos percentuais num só ano. Passaria assim para 135% do PIB.

Empresas levam endividamento da economia para máximos de um ano

Já o endividamento da economia portuguesa — que inclui não só o Estado, mas também empresas e famílias — aumentou 1.266 milhões de euros entre fevereiro e março deste ano, passando para 724.973 milhões, segundo revela também o boletim mensal do Banco de Portugal. Este é o valor mais elevado desde maio de 2019.

Do total, 322,4 mil milhões de euros dizem respeito ao setor público e 402,6 mil milhões ao setor privado. E foram os privados a causar o aumento que foi registado no mesmo mês em que foram disponibilizadas as linhas de crédito para ajudar as empresas a limitar o impacto do coronavírus.

“Relativamente a fevereiro de 2020, o endividamento do setor não financeiro aumentou 1,3 mil milhões de euros. Este aumento deveu-se ao acréscimo de 1,7 mil milhões de euros do endividamento do setor privado, compensado em parte, pela redução do endividamento do setor público em 0,4 mil milhões de euros“, explica o relatório do BdP.

Endividamento da economia aproxima-se de 725 mil milhões

Fonte: Banco de Portugal

As dívidas das empresas sobretudo à banca agravaram-se em 1,9 mil milhões de euros, evolução que que foi parcialmente compensada pela quebra do endividamento dos particulares em 200 milhões.

A redução do endividamento do setor público refletiu-se no decréscimo do endividamento face ao exterior em 2,1 mil milhões. Em sentido contrário, o endividamento face ao setor financeiro aumentou em 1,4 mil milhões e face às empresas outros 200 milhões.

O indicador mais relevante para medir o endividamento do país é, no entanto, o peso face à riqueza gerada. Nesta ótica, o valor aumentou pela primeira vez desde a crise já que vinha a descer desde o pico alcançado em 2013. Março chegou ao fim com o endividamento da economia a situar-se em 342,2% do PIB, mais 3,7 pontos percentuais que no final de 2019.

(Notícia atualizada às 11h20)

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