Países mais pobres da UE têm menos casos de Covid-19 do que Portugal

O grupo dos países mais pobres da UE, onde se inclui Portugal, registaram em média menos casos confirmados e menos óbitos. Contudo, Portugal testou mais do dobro face a esses países.

Os países da União Europeia com um desenvolvimento económico semelhante ao de Portugal registaram menos casos e menos óbitos, até ao momento, em virtude da pandemia de coronavírus. Porém, também testaram bem menos. Estas conclusões surgem da análise dos dados disponibilizados pelo EyeData, ferramenta de análise de dados estatísticos da Agência Lusa.

Em Portugal, neste momento, segundo os dados desta plataforma, contabilizam-se 3.043,45 casos confirmados por milhão de habitantes, o que fica acima da média europeia (2.645,34). No caso do número de óbitos, são 131,88 por milhão de habitantes para Portugal, em comparação com 279,7 na média da União Europeia.

Em relação à média dos países menos desenvolvimentos economicamente — grupo a que pertence e onde estão países como a Grécia, Polónia, Letónia, Hungria, Roménia e Croácia –, Portugal também está acima: em média, esse grupo regista 807,27 casos confirmados por milhão de habitantes. Também nos óbitos por milhão de habitantes o valor é mais baixo: 24.82 na média deste grupo em comparação com os 131,88 de Portugal.

Contudo, Portugal levou a cabo mais do dobro da média de testes feito pelo grupo dos países menos desenvolvidos: 67,08 testes por mil habitantes em Portugal em comparação com 24,84 testes por mil habitantes. Neste indicador, Portugal também figura melhor do que a média europeia (41,85 testes). Esta diferença poderá justificar também as diferenças nos números referidos acima, assim como as diferentes metodologias dos países para registarem o número de casos confirmados e de óbitos por Covid-19.

Também é de notar que a riqueza, neste caso, não é um indicador que diferencie de forma determinante os países europeus nos números da pandemia. Exemplo disso é que o Luxemburgo, um dos países mais ricos da UE (e o terceiro que mais testou), é o país com maior número de casos por milhão de habitantes (6.615). Ou seja, não é possível estabelecer uma causalidade entre as duas variáveis, mas esta análise dá pistas sobre como o vírus está a afetar de forma diferente a UE.

Exemplo disso é também o grupo dos países com um desenvolvimento económico “médio” que, por incluírem Espanha e Itália, registam, em média, um número de casos confirmados e de óbitos por Covid-19 muito superior ao da média da União Europeia.

A mesma “falta de padrão” é encontrada quando se agrupa os países por nível de envelhecimento. No grupo dos países mais envelhecidos, o número de casos e óbitos é superior à média europeia por causa de Espanha e Itália, mas a média deste grupo é atenuada, por exemplo, pela Alemanha, que teve um desempenho “melhor” na pandemia. Já no grupo dos países menos envelhecidos, o número também fica acima da média europeia uma vez que se inclui neste grupo a Suécia, cuja estratégia diferente levou a um maior número de óbitos.

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