Champions em Lisboa não vai “salvar a economia”, mas é “campanha publicitária estrondosa”

A final da Liga dos Campeões em Lisboa terá um impacto incerto na economia, dependendo das restrições impostas devido à pandemia. Mas o impacto mediático é imediato, defendem especialistas.

Lisboa vai receber a fase final da Liga dos Campeões de futebol em agosto. Este evento terá um impacto imediato na imagem do país, no que é uma “campanha publicitária estrondosa”, defendem especialistas em marketing desportivo contactados pelo ECO. Os jogos vão ser realizados nos Estádios da Luz e de Alvalade, na capital portuguesa, e ainda não é certo se terão público a assistir às partidas ou não, algo que irá influenciar o impacto que o evento terá na economia nacional.

Este é o “evento desportivo mais visto do mundo, por cerca de 800 milhões de pessoas, ser realizado em Portugal é uma campanha publicitária estrondosa” que não conseguiríamos fazer de outra forma, reitera Daniel Sá, diretor executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) e especialista em marketing desportivo, ao ECO. “Não tínhamos dinheiro para pagar uma campanha publicitária que chegasse a 800 milhões pessoas”, sublinha.

A escolha da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), conhecida esta quarta-feira, é uma “prova de confiança e segurança no país”, apontou. Para além do ângulo mediático, esta decisão terá também um impacto direto, sinaliza. Um estudo do IPAM concluiu que a final da Champions em 2014, que também se realizou em Lisboa, teve um impacto de cerca de 50 milhões de euros na economia portuguesa, tendo em conta os 70 mil visitantes e adeptos, a organização, os patrocinadores e toda a logística.

Desta vez, não é certo qual será o impacto, mas como ocorre num contexto de pandemia será certamente inferior a uma época normal. A final da Champions não vai “salvar a economia” mas vai dar, ainda assim, um “pequeno impulso, contributo”, apontou Daniel Sá.

Cobertura mediática atrairá novos turistas

Ainda não é certo se o evento terá público ou não. À data de hoje, a previsão é que aconteça sem público, sendo que se esse for o caso “não teremos o mesmo nível de impacto”, salientou Daniel Sá. Ressalvou, ainda assim, que o tema ainda não está fechado, sendo que a UEFA reservou para daqui a um mês a decisão final. O especialista em marketing projeta que não teremos os estádios cheios, mas é possível que estejam parcialmente ocupados.

Daniel Sá aponta que o impacto desta escolha “chegou já hoje”, apontando que quanto mais se aproximar o evento mais teremos “Lisboa e Portugal nas bocas do mundo”. É um “impacto muito poderoso do ponto de vista de visibilidade”, defende. Pedro Dionísio, diretor da Pós-Graduação em Gestão e Marketing do Desporto do ISCTE Executive Education, corrobora esta visão, apontando que a escolha de Lisboa tem de imediato um impacto positivo a dois níveis. Por um lado, a “imagem de destino de Portugal como destino seguro”, e, por outro, a “criação de uma esperança de negócio para hotelaria, restauração e comércio”, explica, ao ECO.

Este evento é, na perspetiva da Associação da Hotelaria de Portugal, “muito importante para a promoção e posicionamento de Portugal como destino turístico e como país seguro, apto a acolher grandes eventos”. E um bom “tiro de partida” para o turismo e para a retoma da hotelaria nas cidades, impactada pela pandemia de Covid-19.

A importância desta escolha foi sublinhada também pelo Presidente da República, que defende que, num momento em que todos os países tentam afirmar a sua marca nacional no mundo, “ser a marca Portugal aquela que vence e que se vai afirmar”, com um evento desta dimensão, “não tem preço, é irrepetível, é uma vez na vida”.

Mais dinheiro, mais investimento

Já mais para a frente, em agosto, o país poderá, para além da imagem de destino seguro, tirar partido de uma “cobertura mediática que atrairá novos turistas”, defendem os especialistas consultados pelo ECO. A isto junta-se também a “receita das estadias de equipas, jornalistas e eventuais acompanhantes”, que é difícil de estimar devido às restrições associadas à pandemia. Ainda assim, Pedro Dionísio reitera que “está assegurado, na pior das hipóteses, a presença de mais de um milhar de pessoas com elevado poder de compra”.

Acresce ainda a esta lista outro fator que é a “imagem de um país com capacidade organizativa, que soube organizar, em poucas semanas, o que poderá ser importante para futura atração de investimento estrangeiro em outras áreas”, reitera o especialista em marketing desportivo. Quanto ao impacto mediático, “Lisboa será, naturalmente, a cidade mais beneficiada de Portugal por se realizarem aqui os jogos”, remata.

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