Suspensão da renda fixa pode levar à falência dos centros comerciais. Lojistas dizem que isso é “demagogia pura”

O PCP propôs o pagamento unicamente da renda variável dos centros comerciais até março de 2021, mas os proprietários dizem que isso poderá causar falências. Lojistas não concordam.

O PCP defende que, até março de 2021, os lojistas dos centros comerciais paguem apenas a renda variável, minimizando os prejuízos causados pela pandemia. Mas, para os proprietários dos shoppings, essa medida colocaria em causa milhares de postos de trabalho, podendo levar mesmo à falência de muitas lojas. Contudo, a associação que representa os lojistas diz que os centros comerciais nunca irão à falência e que isso é “demagogia pura”.

Os lojistas dos centros comerciais pagam dois tipos de renda: a renda fixa e a renda variável, que varia conforme o volume de vendas da loja. Para fazer face aos efeitos provocados pela pandemia, o PCP propôs que, até março de 2021, os lojistas pagassem apenas a renda variável. Contudo, essa proposta de aditamento ao Orçamento Suplementar, que vai ser discutida esta terça-feira, não agrada aos proprietários dos centros comerciais.

“A criação de um regime excecional para que, até março de 2021, os lojistas dos centros comerciais paguem apenas a componente variável das rendas (…) coloca em causa a viabilidade dos centros comerciais e pode conduzir alguns deles à falência“, alerta a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), em comunicado enviado esta segunda-feira.

Referindo que mais de 2.000 lojas poderão vir a ser encerradas, perdendo-se cerca de 25.000 postos de trabalho diretos e 50.000 indiretos, o presidente da associação salienta que “os centros comerciais não estão imunes” a este “contexto de grandes desafios” e que “podem entrar em falência, destruindo milhares de empregos”. “É necessário conhecimento, ponderação e equilíbrio nas medidas a tomar para que todos os envolvidos na cadeia de valor desta indústria possam recuperar a sua atividade de forma sustentável”, diz António Sampaio de Mattos.

Além disso, o presidente da APCC — associação que representa mais de 90% da área bruta locável total existente em Portugal e cujos centros integram 8.600 lojas — afirma que esta proposta iria “indiscriminadamente, beneficiar desde as marcas internacionais de grande dimensão até aos pequenos comerciantes de uma só loja” e não considera os 305 milhões de euros em apoios já acordados entre proprietários e lojistas. ”

Lojistas falam em “fake news” e “demagogia pura”

Contudo, a associação que representa 2.000 lojistas não olha para o cenário da mesma maneira. Em declarações ao ECO, Miguel Pina Martins, fundador e presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR) diz que estas declarações da APCC são “fake news“.

“Os centros comerciais nunca irão à falência. Isso é pura demagogia”, disse, explicando que “mesmo que os proprietários recebessem zero euros de renda, que não vai acontecer, iam sempre ganhar”.

“Este ano os proprietários vão ter lucro, não vão é ter tanto”, continuou o também CEO da Science4You, referindo que praticamente todos os lojistas vão ter prejuízos, resultado dos meses em que foram obrigados a permanecer encerrados.

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