STCP fecha 2019 com resultado operacional negativo de 1,2 milhões

  • Lusa
  • 30 Junho 2020

Sociedade de Transportes Coletivos do Porto apesar de ter transportado mais passageiros o ano passado, apresentou um resultado operacional negativo de 1,2 milhões de euros.

A Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) transportou em 2019 um total de 76,7 milhões de passageiros, mais 4,5% do que no ano anterior, registando, porém, um resultado operacional negativo de 1,2 milhões de euros.

De acordo com a nota divulgada esta terça-feira, após a Assembleia-geral que decorreu por videoconferência, foram aprovadas as contas individuais e consolidadas relativas ao ano de 2019 que regista um crescimento da procura e da receita.

O ano passado, a STCP transportou “um total de 76,7 milhões de passageiros, o que corresponde a um crescimento de 4,5% (3,3 milhões) quando comparado com o ano anterior”.

Este crescimento explica-se essencialmente pela disponibilização das novas tarifas sociais, que entraram em vigor em 01 de abril de 2019, no âmbito do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART), que contribuíram para “incentivar a procura do transporte público”, assinala a empresa em comunicado.

Em termos de receita, a STCP atingiu um valor de 49,5 milhões de euros, representando assim um aumento de 3,4% face a 2018, mantendo a tendência de crescimento pelo quarto ano consecutivo.

Ainda de acordo com a informação divulgada, a empresa de transportes públicos encerrou o ano de 2019 com o EBITDA recorrente positivo (resultado sem depreciações) de 3,5 milhões de euros, representando uma melhoria face a 2018 de 1,5 milhões de euros (80%).

Já o resultado operacional corrente foi negativo em 1,2 milhões de euros, mas apresentou, contudo, uma melhoria de 521 mil euros (30%) face a 2018.

Também o resultado líquido foi negativo em 3,2 milhões de euros, tendo registado um agravamento de 1,3 milhões de euros (74%) face ao ano anterior.

Num comunicado, a empresa salienta ainda que o ano de 2019 ficou marcado pela manifestação pelas partes interessadas – Estado, Área Metropolitana do Porto e os seis municípios servidos pela rede de transporte da empresa – Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Valongo e Vila Nova de Gaia – e STCP, de proceder à Intermunicipalização da STCP, cuja operacionalização foi, entretanto, adiada.

A operadora de transporte público refere ainda que, durante o ano passado, foi realizado ainda um investimento de 16,3 milhões de euros, valor que compara com 14,7 milhões do ano anterior, destacando a aquisição de novos autocarros, “no âmbito do programa de renovação da frota, que representa 81% do total do investimento realizado”.

De acordo com a STCP, no âmbito do programa de renovação da frota, iniciado em 2018, no final do ano estavam rececionados 15 autocarros elétricos, a totalidade da encomenda, e 94 autocarros a gás natural, completando 109 novos autocarros (58%) do total dos 188 previstos para a primeira fase de renovação da frota de autocarros da STCP.

Já a construção do novo posto de abastecimento de gás natural na Estação de Recolha de Francos e a instalação de postos de carregamento de energia elétrica, correspondem a 16% do total de investimento.

Na nota hoje divulgada, o maior operador de transportes públicos na Área Metropolitana do Porto salienta que “continuou a assentar a sua atividade na qualidade da gestão dos seus recursos humanos, integrando o seu quadro de pessoal (não incluindo órgãos sociais), a 31 de dezembro de 2019, 1.289 trabalhadores, o que corresponde a um aumento de efetivo face ao período homólogo de 2018, de 18 (dos quais 10 Motoristas + 2 Guarda-Freios), registando-se um rejuvenescimento da força de trabalho da empresa”.

Os trabalhadores da STCP estão hoje em greve para reivindicar melhores condições laborais, não tendo estabelecidos pelo Tribunal Arbitral quaisquer serviços mínimos para as 73 linhas da rede STCP, o que levou a empresa a alertar para eventuais perturbações no serviço.

Esta paralisação acontece numa altura em que o contrato de intermunicipalização da STCP para os municípios já foi assinado pelas seis autarquias, faltando agora o visto do Tribunal de Contas para concluir a transferência da propriedade para as autarquias.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

STCP fecha 2019 com resultado operacional negativo de 1,2 milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião