Hidrogénio, sim, mas sem “onerar custos para os consumidores”

Matos Fernandes pede "compromisso" dos impostos dos portugueses com o hidrogénio. Siza Vieira não quer que sejam os consumidores a arcar com os encargos.

O hidrogénio verde é a nova aposta do Governo. Portugal, que em tempos apostou forte nas energias renováveis quer dar cartas nesta tecnologia, mas para isso serão necessários investimentos avultados. Pedro Siza Vieira está ciente do esforço e não quer que sejam os consumidores — nem os domésticos, como aconteceu no passado com as renováveis, nem os industriais — a arcar com os encargos.

Para o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, a estratégia para o hidrogénio é clara: “Visa assegurar que viabilizamos a concretização do objetivo de neutralidade carbónica”, disse, quando questionado sobre a Estratégia Nacional para o Hidrogénio que está em consulta pública até meados de julho. Contudo, defende que este objetivo deve ser alcançado “sem onerar o custo para os consumidores industriais e outros”, afirmou, no final da terceira sessão de esclarecimento promovida pelo Governo.

Quem pagou, e continua a pagar, o sobrecusto das renováveis foi o consumidor doméstico. Quando estamos a falar de um gás como o hidrogénio, a solução não pode ser a mesma.

Pedro Siza Vieira

Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital

“Quem pagou, e continua a pagar, o sobrecusto das renováveis foi o consumidor doméstico”, lembrou. “Quando estamos a falar de um gás como o hidrogénio, a solução não pode ser a mesma”. “Os destinatários principais desta fonte de energia são os consumidores industriais e não devem ser onerados com custos acrescidos de produção”, rematou.

Em entrevista ao ECO/Capital Verde, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Matos Fernandes, falou em investimentos necessários de sete mil milhões de euros, dos quais 900 milhões virão dos sofres do Estado e 40 milhões de fundos comunitários do POSEUR. O restante será investimento privado de empresas portuguesas, holandesas e de outros países europeus.

Este “cheque” do Estado para o hidrogénio terá, contudo, de ser pago. Questionado sobre se fará subir a fatura da luz para famílias e empresas, João Pedro Matos Fernandes falou de um “compromisso que os portugueses têm com os seus impostos para potenciar este tipo de projetos”, garantindo que “o hidrogénio é fundamental”.

Passa fatura a quem? À Europa

Desta vez, contrariamente ao que aconteceu com as renováveis, a “solução tem de ser diferenciada”, diz Siza Vieira. “Se temos de trabalhar com responsáveis públicos e intervenientes privados, se temos de criar e regulamentar o mercado, desenvolver tecnologias, é claro que vamos precisar de uma grande articulação de políticas públicas e recursos financeiros públicos para fazer face aos custos muito grandes de investigação e desenvolvimento das tecnologias, na industrialização e adaptação de estruturas de consumo”, disse o ministro da Economia.

Estes recursos financeiros públicos virão, segundo o governante, do “novo quadro de recursos europeus”, com o “reforço dos recursos a alocar ao relançamento da economia”, o aumento significativo do Fundo para a Transição Justa, mas também novos recursos financeiros para Investigação e Desenvolvimento, apoio ao desenvolvimento industrial e apoio de financiamentos de longo prazo, com instituições europeias e também o Banco Português de Fomento.

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