Já testámos a app de “contact tracing” à Covid. Vai funcionar assim

O ECO teve acesso a uma versão não funcional da aplicação STAYAWAY COVID. Saiba como vai funcionar o aplicativo de "contact tracing" em Portugal, que deverá ser lançado em meados deste mês de julho.

Em breve, os portugueses vão poder pôr os seus telemóveis ao serviço da luta contra a pandemia. A aplicação móvel de rastreio de casos de contágio está em fase final de desenvolvimento, esperando-se que seja disponibilizada a quem a queira instalar a partir de “meados de julho”. Importa, por isso, saber exatamente como funciona.

O ECO teve acesso a uma versão não funcional da aplicação de contact tracing “STAYAWAY COVID”, cedida pelo INESC TEC, e conta-lhe em primeira mão o que pode esperar deste aplicativo.

Primeiro, falemos da instalação. Vai precisar de ter um iPhone ou telemóvel Android com Play Store para descarregar o aplicativo (ainda não está disponível nas lojas). Não é exigida (nem permitida) a criação de conta, nem que faculte qualquer tipo de dados pessoais para ter acesso ao interface. A partir do momento em que a app é instalada, estará pronta a ser usada.

Quando abrir a app pela primeira vez, verá um painel inicial com informações sobre o funcionamento da aplicação, o objetivo da mesma e o que fazer se entretanto for diagnosticado com Covid-19. É também necessário que aceite os termos de utilização e a política de privacidade.

Eventualmente, o seu telemóvel pedirá autorização para aceder a algumas funcionalidades do aparelho, como o Bluetooth e a possibilidade de correr em segundo plano.

Veja as imagens da STAYAWAY COVID:

Três painéis. Funcionam como um semáforo

A aplicação terá três painéis principais. O primeiro é verde e é aquele que quererá ver durante todo o tempo. Significa que não esteve próximo de nenhum outro utilizador que, entretanto, se tenha marcado como infetado. Mas sabemos que nem sempre isso será possível.

Caso se tenha cruzado com uma pessoa infetada nos últimos 14 dias, a aplicação passará a mostrar um aviso a amarelo, apresentando algumas recomendações. Estes dados, segundo o INESC TEC, são processados localmente e o instituto garante que não é enviado qualquer alerta ou informação para as autoridades de saúde. Tudo é voluntário.

Antes de falarmos do terceiro e último painel, vale a pena falar do botão que aparece no canto inferior esquerdo. Este botão abre a área onde os utilizadores poderão introduzir um código de 12 dígitos que será facultado pelos médicos no caso de ter feito um teste positivo à Covid-19. Este é o painel que permitirá aos doentes marcarem-se voluntariamente como infetados na aplicação, permitindo que as pessoas com quem se tenham cruzado sejam informadas da existência do contacto (não é facultada a sua identidade).

É aos doentes com Covid-19 que surge o terceiro painel de que falámos. É um painel que confirma que o seu telemóvel foi marcado como pertencendo a uma pessoa infetada. Nestes casos, o seu telemóvel deixa de monitorizar contactos de proximidade. Por fim, há ainda um terceiro botão, que deverá apresentar uma série de recomendações de saúde.

Esta é a única imagem “oficial” e autorizada que existe atualmente da STAYAWAY COVID. A versão final deverá ser ligeiramente diferente e com uma aparência mais moderna.INESC TEC

Como funciona tecnicamente esta aplicação?

Tudo o que lhe dissemos acima é a explicação genérica do funcionamento da STAYAWAY COVID. Mas tudo isto só é possível devido às capacidades técnicas da aplicação. O ECO já as explicou nas últimas semanas, em vários textos de cobertura ao tema do contact tracing em Portugal. Mas nunca é tarde para recordar.

O que faz a aplicação? Em linhas gerais, a app vai recorrer ao Bluetooth do smartphone para emitir códigos aleatórios que mudam periodicamente (ver infografia abaixo). Ao mesmo tempo que o telemóvel emite esses códigos, regista também os códigos dos outros telemóveis que estejam nas proximidades. Este mecanismo funciona em tempo real e a todo o instante, pelo menos enquanto o utilizador a mantiver ligada e o rastreio esteja em funcionamento (a app tem um botão para desligar e pode também desinstalá-la a qualquer momento).

Quando uma pessoa é diagnosticada com Covid-19, os médicos terão a possibilidade de gerar, numa plataforma própria para o efeito, um código aleatório de 12 dígitos que permite ao doente que, se quiser, entre na aplicação e marque-se como infetado. Nestes casos, o utilizador abre a app, carrega no botão inferior do lado esquerdo, e introduz o código.

Neste instante, o telemóvel envia para uma base de dados todos os códigos aleatórios de outros telemóveis que tenha registado localmente nos últimos 14 dias. Estes são códigos de pessoas reais, mas anónimas, com quem o utilizador se cruzou nos últimos dias, e que permite rastrear possíveis casos de contágio.

Duas vezes por dia, em momentos diferentes, os telemóveis de todos os utilizadores acedem a essa base de dados para verificar se os códigos que gerou fazem parte dessa lista. Se sim, significa que houve contacto e o utilizador é alertado por uma notificação. Pode, depois, contactar as autoridades ou não fazer nada. A escolha é sempre do utilizador.

Esta aplicação recorrerá a um sistema desenhado pela Google e pela Apple para este efeito. As duas empresas, donas respetivamente do Android e do iOS, permitem a existência de uma aplicação por país. A STAYAWAY COVID deverá, por isso, ser a app de contact tracing “oficial” de Portugal.

Neste momento, as duas multinacionais estão a analisar a aplicação do INESC TEC para detetar eventuais falhas ou vulnerabilidades que possam existir. O INESC TEC está também a rever a avaliação de impacto da aplicação na privacidade dos cidadãos, a pedido da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).

Este órgão já olhou para o sistema e não deliberou qualquer oposição direta ao funcionamento da ferramenta. No entanto, a autoridade de proteção de dados portuguesa mostrou-se reticente com o uso do sistema da Google e da Apple, alertando que estas duas empresas podem mudar as regras do jogo de forma “unilateral”.

O INESC TEC tenciona disponibilizar a aplicação “em meados de julho”. Está também a desenvolver esforços para que a ferramenta seja compatível com outras do mesmo género em vários países, para garantir a interoperabilidade.

Saiba como funciona o contact tracing digital

(Notícia atualizada a 17 de julho, às 15h43, com imagens da aplicação)

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