Julho é o mês sem plástico. 10 dicas para eliminar todos os descartáveis

Em julho de 2019, 250 milhões de pessoas em 177 países aderiram ao desafio Plastic Free July. Desde 2011 já foi possível eliminar, por ano, 825 milhões de quilos de resíduos plásticos.

Esta sexta-feira, 3 de julho, comemora-se mais um Dia Internacional Sem Sacos de Plástico. De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, por minuto são utilizados cerca de um milhão destes sacos no mundo. Por ano, circulam 100 milhões na Europa. Portugal é um dos países da Europa que mais utiliza sacos plásticos (466 por pessoa, por ano, apesar serem taxados desde 2015) e onde estes são usados apenas uma vez.

Ir às compras com sacos reutilizáveis já se tornou para alguns, num hábito. Mas conseguiria passar um mês inteiro sem usar qualquer objeto feito de plástico? E eliminar totalmente o plástico descartável de uso único da sua vida? Este é precisamente o desafio da iniciativa internacional Plastic Free July, que promove a redução da utilização de plástico em todo o mundo. Portugal não é exceção e por cá são várias as vozes que se levantam para apoiar este movimento.

A começar pela associação ambientalista Zero, que vai publicar 31 conselhos — um por cada dia do mês — para tornar julho um mês sem plástico, com vista a um dia-a-dia com menos objetos descartáveis. De acordo com a Zero, os dados da Agência Portuguesa do Ambiente indicam que a taxa de reciclagem das embalagens de plástico é de apenas 15%. O Governo contesta as contas e garante que 44% das embalagens de plástico são recicladas. Ainda assim, são 163 mil as toneladas de embalagens de plástico nos resíduos urbanos, valor declarado em 2018 às três entidades gestoras de resíduos de embalagens como colocadas no mercado (Sociedade Ponto Verde, Novo Verde e Eletrão). Já a quantidade reciclada que é declarada pelas mesmas três entidades foi de 72 360 toneladas.

Olhando para o valor total de produção de resíduos urbanos em Portugal, foram 4,95 milhões de toneladas em 2018, 11,5% dos quais são plásticos, o que inclui não só embalagens mas todo o tipo de plástico.

Tendo em conta este cenário, “é fundamental prevenir a produção de plástico, visto que a reciclagem está longe de ser uma solução suficiente para resolver o problema da grande produção e uso de plásticos no nosso dia-a-dia. Julho é internacionalmente considerado o mês sem plástico – Plastic Free July – e para ajudar a eliminar o descartável de muitos atos quotidianos, vamos lançar a cada dia um conselho/desafio”, diz a Zero em comunicado.

Conheça as primeiras 10 dicas da Zero para um julho sem plástico:

  • Em contexto social utilize máscaras reutilizáveis e não utilize luvas (a OMS desaconselha o seu uso). Poupará muitos recursos naturais que estão a ir para aterro ou a serem incinerados.
  • Prefira sabonete sólido ao gel de banho, pois estará a produzir muito menos resíduos.
  • Utilize uma garrafa de água reutilizável e, de preferência, encha-a com água da rede pública.
  • Prefira roupas produzidas com fibras naturais, para evitar a libertação de microfibras plásticas a cada lavagem.
    Recuse palhinhas e se é algo que precisa ou aprecia, adquira uma palhinha reutilizável em metal.
  • Utilize sacos reutilizáveis em todas as suas compras (não apenas quando vai ao supermercado). Mesmo que os sacos sejam de papel, este também tem que vir de algum lado e a sua produção tem grandes impactos.
  • Utilize discos/toalhitas reutilizáveis para se desmaquilhar. É simples, mais em conta e evita a produção de muitos resíduos não recicláveis.
  • Leve o seu almoço em recipientes reutilizáveis. Se recorrer a take away, procure levar os seus próprios recipientes bem como os seus talheres reutilizáveis.
  • Não substitua plástico descartável por outro material descartável, seja ele qual for, pois todos têm um enorme impacto negativo para um uso muito curto. Reduza e reutilize.
  • Aproveite o verão para experimentar o copo menstrual ou os pensos reutilizáveis.

Por onde começar? Faça compras a granel

Por todo o país, são várias as lojas a juntarem-se ao movimento Plastic Free July, como a Drogaria Nova, em Abrantes, ou a Maria Granel, em Lisboa. A primeira conta com uma oferta de produtos amigos do ambiente, recusa oferecer sacos de plástico aos clientes, substituindo-os por sacos de papel, reutiliza caixas e outros materiais de embalagens das encomendas dos fornecedores e recicla todos os materiais que não podemos reutilizar. Além disso este mês vai ter descontos em produtos que reduzem ou eliminam a utilização de plástico.

Quanto à Maria Granel, já participa neste desafio desde 2017. Em 2019, conseguiram juntar mais de 60 pessoas, que deram a cara em vídeo, partilhando os gestos e mudanças que colocaram em prática.

Queremos continuar a sensibilizar para o problema e a mostrar alternativas, usando a força da nossa comunidade. Em 2020, em contexto de pandemia, acreditamos que esta iniciativa é ainda mais necessária.“, escreve a marca nas suas redes sociais, fazendo uma ressalva: “Há descartáveis que estão a salvar vidas e que são instrumentos de sobrevivência e, como tal, são essenciais. Sabemos também que há situações, neste momento crítico, em que não há alternativa – nem pode haver – é uma questão de saúde pública. Esta não é uma cruzada anti plástico, reconhecemos o papel e a importância deste material. E também sabemos que a sustentabilidade é bem mais abrangente do que a questão dos resíduos e dos plásticos descartáveis”.

A campanha Plastic Free July foi criada pela Plastic Free Foundation, tratando-se de uma iniciativa internacional que mobiliza milhões de pessoas em todo o mundo para assumir o desafio e o compromisso de reduzir o consumo de descartáveis (uso único) ao longo de um mês. Tudo começou em 2011, graças a Rebecca Prince-Ruiz, que iniciou o movimento na sua cidade, na Austrália, contagiando a sua comunidade, o governo local e, a partir daí, nos anos seguintes, o país inteiro e o mundo.

No ano passado participaram no movimento 250 milhões de pessoas em 177 países diferentes. De acordo com a Plastic Free Foundation, desde 2011 e até os participantes conseguiram reduzir 5% (menos 23 kg) os resíduos domésticos, em média, contribuindo para um total de 825 milhões de quilos de resíduos plásticos eliminados, em cada ano desde então.

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