Urbanização de luxo em Belas vê nascer o primeiro “Bairro Solar” de Portugal

A EDP e a Planbelas escolheram o Lisbon Green Valley, a mais recente fase de desenvolvimento do Belas Clube de Campo do Grupo André Jordan, para instalar o primeiro “Bairro Solar” de Portugal.

Depois do Lisbon Green Valley, a mais recente fase de desenvolvimento do Belas Clube de Campo do Grupo André Jordan, ter sido o primeiro empreendimento certificado pela norma de “resiliência às alterações climáticas”, no início de 2020, a urbanização de luxo às portas de Lisboa vê agora nascer o primeiro “Bairro Solar” de Portugal.

Na prática trata-se de uma Comunidade de Autoconsumo Coletivo de Energias Renováveis (CACER) lançada em parceria pela EDP Comercial e pela Planbelas, com o objetivo de promover a produção de energia a partir do sol, 100% renovável, e o seu autoconsumo, gerando poupanças substanciais na fatura de eletricidade para quem mora no Belas Clube de Campo.

Em comunicado, as duas empresas garantem que, neste primeiro bairro solar, para uma moradia com nove painéis solares instalados (cada um com de 330W), num total de 2970W de potência instalada, estima-se uma poupança anual de 500 euros na fatura da luz, evitando a emissão de quase uma tonelada de CO2 para a atmosfera por ano. Esta iniciativa arrancou como um projeto-piloto: duas moradias produtoras de energia elétrica a partir de painéis fotovoltaicos, que partilham a sua produção com outras 12 casas em volta. E todos ficam a ganhar. Quem produz paga menos 40% sobre o valor da energia solar consumida, enquanto os vizinhos beneficiam de uma redução de 20% na fatura da luz.

Numa segunda fase o projeto será alargado a todo o conjunto residencial do Lisbon Green Valley, podendo chegar às 100 moradias e edifícios até ao final do próximo ano, garantem os promotores. Além da poupança na carteira, a produção e partilha de energia a nível local, no bairro, aumenta a eficiência energética dos moradores e contribui para uma redução substancial na geração de gases de efeito de estufa (GEE).

“Trata-se de uma iniciativa pioneira no segmento residencial e um exemplo a seguir. A recente inovação legislativa autoriza a criação das comunidades energéticas de autoconsumo coletivo, ou bairros solares, ao permitir que haja uma cedência de energia solar de painéis fotovoltaicos instalados numa moradia – o produtor – para outras residências ou empresas na vizinhança – o consumidor”, dizem a EDP e a Planbelas no mesmo comunicado.

E acrescentam: “O Lisbon Green Valley foi o local escolhido para implementação do primeiro Bairro Solar de Portugal, não só por ser um dos empreendimentos residenciais mais sustentáveis da Europa, como também pelos objetivos estratégicos de ambas as empresas em matéria de sustentabilidade. A Planbelas, na procura constante de soluções inovadoras sustentáveis numa lógica de redução do impacto ambiental, e a EDP Comercial com vista à implementação deste tipo de soluções energéticas em comunidade e desenvolvimento de projetos numa lógica pioneira de descarbonização”.

O Governo aprovou recentemente a legislação que visa promover o autoconsumo partilhado de energia renovável através do conceito de comunidades de energia, para alcançar uma quota de 47% de energia proveniente de fontes renováveis no consumo final bruto, em 2030. Além disso, o Governo decidiu também que os consumidores que produzam a sua própria energia elétrica para consumo individual ou coletivo, e que injetem eletricidade excedente na rede nacional, vão passar a estar isentos do pagamento dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG).

O secretário de Estado da Energia, João Galamba, anunciou que os consumidores que produzam a sua própria energia elétrica para consumo individual ou coletivo, e que injetem eletricidade na rede nacional, vão passar a estar isentos dos CIEG na fatura, que neste momento são ainda responsáveis por fatia substancial do valor que se paga pela eletricidade consumida em Portugal.

De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), os CIEG representam em Portugal cerca de 30% do preço total pago pelos consumidores e incluem inúmeras rubricas, como os CMEC (custos para a manutenção do equilíbrio contratual), produção em regime especial (energias renováveis), custos de natureza ambiental, tarifa social, entre muitas outras parcelas somadas na conta da luz.

De acordo com um despacho assinado recentemente por Galamba, quem tenha painéis solares para abastecer o consumo da sua habitação terá assim um desconto de 50% no valor dos CIEG na fatura, enquanto nos projetos de autoconsumo coletivo e as comunidades de energia a isenção será a 100%.

Belas Clube de Campo: casas sustentáveis e resistentes às alterações climáticas

Atribuída pelo Sistema LiderA, a certificação pela norma de “resiliência às alterações climáticas” atribuída ao Lisbon Green Valley, atesta a capacidade dos ambientes construídos e comunidades se ajustarem, reagirem e darem respostas face a riscos naturais (como inundações, tempestades, vagas de calor), humanos, sociais e económicos (como criminalidade, ataques terroristas, falhas das infraestruturas, entre outros).

Perante estes cenários, o Lisbon Green Valley foi classificado com um grau elevado de resiliência (Classe A), informou a sociedade imobiliária Planbelas.

Para esta avaliação foram considerados 20 parâmetros diferentes: ondas de calor, precipitação intensa e cheias, inundações, problemas de gestão, abastecimento e qualidade da água, erosão hídrica do solo, risco de incêndio, biodiversidade, falhas nas infraestruturas de energia, saneamento e resíduos, crimes, entre outros.

No início do ano, o Grupo André Jordan Group anunciou que está a investir 25 milhões de euros na construção de 50 novos apartamentos e 15 ‘townhouses’ no Belas Clube de Campo. Os novos projetos “inserem-se no plano de desenvolvimento do Lisbon Green Valley que prevê, numa primeira fase, a construção de 366 unidades entre ‘townhouses’ (moradias), apartamentos e lotes para construção de moradias unifamiliares”, diz o mesmo comunicado. Os imóveis só começarão a ser entregues em junho de 2021, mas já começaram entretanto a ser comercializados.

De acordo com o relatório de avaliação, o Lisbon Green Valley apresenta medidas que distinguem este empreendimento por comparação com as práticas comuns no setor imobiliário, quer a nível de planeamento das infraestruturas e loteamento, quer a nível de construção dos edifícios de habitação unifamiliar, coletiva e de serviços.

A urbanização Belas Clube de Campo foi certificada pela primeira vez pelo Sistema LiderA em 2012, obtendo a classificação A+. Em 2017 foi atribuída a nota A++ às moradias do Lisbon Green Valley e, em 2018, o empreendimento obteve uma avaliação correspondente à classe A+ para os apartamentos do lote 10. Em 2019, o Lisbon Green Valley estreou no mercado as primeiras casas em Portugal a atingir valores de certificação Nearly Zero Energy Building (NZEB) – obrigatória na Europa já a partir de 2021 para todos os edifícios novos.

O Belas Clube e Campo foi também distinguido pela ADENE – Agência para a Energia, com o AQUA+, o novo índice de desempenho hídrico dos edifícios. Trata-se do primeiro instrumento de classificação da eficiência hídrica nos edifícios, que utiliza uma metodologia inovadora a nível mundial e pioneira na Europa, e pretende identificar e distinguir as boas práticas no uso eficiente dos recursos hídricos nos edifícios e urbanizações.

Estas certificações permitem concluir que as casas do Lisbon Green Valley – nova fase do Belas Clube de Campo – apresentam um desempenho ambiental superior a 90%, com painéis fotovoltaicos que alimentam baterias, pontos de carregamento para carros elétricos, separação de águas cinzentas para reaproveitamento nos autoclismos, isolamento térmico e acústico, sistema de aquecimento e arrefecimento de pavimento radiante, painéis solar térmicos, controlo de climatização, eletrodomésticos de categoria A+++.

“A legislação nesta matéria já é muito exigente, e estas casas superam em quádruplo os requisitos que já são exigidos e isso está patente nos consumos: as townhouses consomem 11 kw/m2/ano, sendo que uma casa de referência consome em média 108kw/m2/ano”, realçou Manuel Pinheiro, responsável pelo LiderA.

Destacando a sustentabilidade e eficiência energética como estando “no centro do desenvolvimento dos novos projetos” no Belas Clube de Campo, os promotores referem que os novos edifícios “são já validados pela Agência para a Energia com o AQUA+”, um novo índice de desempenho hídrico que avalia a incorporação de medidas concretas para uma gestão hídrica eficiente. Os imóveis estão também equipados com diversos equipamentos e sistemas “na vanguarda das boas práticas ambientais, certificados pelo sistema LiderA com classificação A+”.

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