Podem os dinossauros tornar-se unicórnios? Galp estreia Fábrica da Inovação e convida startups a entrar

Em avaliação estão já ideias de negócio que vão desde o rating de crédito a tecnologias para otimizar o desempenho de parques solares, armazenamento de energia, robôs de limpeza e painéis bifaciais.

Podem os dinossauros tornar-se em unicórnios? Pode uma petrolífera, que toda a vida dedicou o seu negócio aos combustíveis fósseis, fazer parte da transição energética para um futuro neutro em carbono? Pode um gigante empresarial aliar-se ao ecossistema empreendedor para beneficiar da agilidade e rapidez das startups e da inovação de que são capazes? Para a Galp, a resposta a todas estas questões é sim. E quer prová-lo já a partir desta quinta-feira, com a abertura de portas da nova coqueluche do grupo: a Fábrica de Inovação UP – Upcoming Energies, instalada no espaço de coworking LACS, em Lisboa, mesmo em frente ao rio Tejoe.

Sob a batuta do holandês Richard Lagrand, ex-diretor da Startupbootcamp, em Barcelona, a nova unidade de inovação irá agora procurar soluções que permitam acelerar a transição energética, a mobilidade do futuro (elétrica e não só), o digital e a economia circular. Procuram-se novas “tecnologias limpas”, e rápido. A “fábrica” deveria ter sido inaugurada logo em janeiro, tal como a Galp anunciou em 2019, mas a pandemia de Covid-19 acabou por vir adiar os planos.

“Esta nova unidade pretende reforçar a proximidade da Galp à inovação global, com um foco particular na comunidade empresarial que desenvolve soluções cleantech. No âmbito da estratégia de transformação da Galp, para responder à transição energética em curso, a UP irá centrar o seu trabalho de inovação a partir do ponto de vista humano, ou seja, dos problemas concretos que as pessoas enfrentam no seu quotidiano para as soluções tecnológicas que podem ajudá-las a superá-las”, explicou a empresa em comunicado.

Para já, a Fábrica de Inovação começará a avaliar startups, a executar projetos-piloto e a desenvolver testes preliminares com utilizadores para identificar oportunidades potenciais que possam beneficiar a Galp e seus clientes. Em cima da mesa, nesta plataforma colaborativa que pretende abrir a porta da Galp ao ecossistema mundial de inovação, estão já projetos em áreas que vão desde o rating de crédito a tecnologias de ponta que ajudam a otimizar o desempenho e o rendimento de parques solares de grande escala, com recurso ao armazenamento de energia, revestimentos, robôs de limpeza e painéis bifaciais, entre outros.

O responsável pelo projeto iniciou a sua carreira na área das telecomunicações, liderou o arranque de diversas startups na área do eCommerce. Antes de se juntar à Galp, dirigia o programa de IoT e Datatech do Startupbootcamp, um programa de aceleração de startups em Barcelona. “Temos estado a falar com startups e scaleups com projetos e ideias de negócios em várias áreas, desde o solar descentralizado ao upstream, no petróleo. Vamos trabalhar com o ecossistema local de empreendedores e também internamente, com as várias equipas da empresa, Queremos ser um hub de inovação para responder a três desafios principais: o aumento do consumo de enrgia, a falta de alimentos e a crise climática”, disse Richard Lagrand no evento online de lançamento do UP – Upcoming Energies.

A acompanhar de perto a Fábrida da Inovação está também Cristina Fonseca, administradora não-executiva da Galp que é ainda partner na Indico Capital Partners e foi uma das criadoras da Talkdesk, uma das primeiras empresas unicórnio portuguesas. Na sua visão, “a Galp não está a tentar criar novos unicórnios” ao apoiar estas startups, mas sim a “resolver desafios estratégicos e startups são uma forma interessante de o fazer”.

“Não conheço nehum unicórnio lançado por uma grande empresa”, disse Cristina Fonseca no mesmo evento, frisando que “startups e grandes grupos empresariais têm muito a aprender uns com os outros”: os gestores a serem mais ágeis e menos avesos à mudança, e os empreendedores a serem “mais crescidos” e a terem como exemplo a estabilidade das grandes empresas.

A criação da UP – Upcoming Energies foi anunciada em dezembro pela administradora da Galp responsável pelas Renováveis e Novos Negócios, Susana Quintana Plaza, na sessão de abertura do EIC Corporate Day da Galp. O evento, organizado pela energética em parceria com o European Innovation Council, reuniu em Lisboa 15 startups e scaleups europeias na apresentação e discussão de projetos que possam integrar o roadmap da Galp para modelos de negócio de baixo carbono. Para a administradora, a UP – Upcoming Energies pretende “criar um hub de ideias e de novos projectos à escala internacional”.

Origin GPS (Israel), Aibox Lab (Holanda), TWEVO (Portugal), Cherry Data (Itália), Global Data Excellence (Suíça), Barbara IoT (Espanha), DEXMA Sensors (Espanha), Win Inertia Technologies (Espanha), Enerkite (Alemanha), Yodiwo (Grécia), Battery Check (República Checa), Recircula Solutions (Espanha), EQS Global (Portugal), IRIS Technology Group (Espanha), TWTG R&D (Holanda) foram as 15 escolhidas.

“Queremos testar caminhos e soluções que ajudem a Galp a posicionar-se como um player de referência na resposta aos desafios que a sociedade e a indústria energética enfrentam. Nesse sentido, procuramos parceiros que tenham ideias ou projectos inovadores e disruptivos, que possam acrescentar valor ao portefólio de serviços e produtos da empresa”, disse a administradora.

Também Jorge Fernandes, o novo diretor de Inovação da Galp, tinha já traçado o perfil da “fábrica” que ajudou a construir no seu regresso a Portugal, depois de uma longa carreira internacional: uma plataforma híbrida, com uma equipa dedicada a olhar para o mundo, que será uma porta de entrada de novas ideias e tecnologias através de startups, de parceiros de negócio. Lisboa foi ecolhida para a sede, mas a UP terá ligação a ecossistemas de inovação em diferentes geografias nacionais (Porto) e internacionais (Espanha, Brasil, entre outras), para desenvolver aplicações móveis, novos processos de transformação de resíduos em combustíveis menos poluentes, hidrogénio para a mobilidade e para a descarbonização da indústria. Isto permite à empresa ir buscar competências que não tem e evoluir mais rápido. Na edição de 2019 da Web Summit, a petrolífera marcou presença para tentar encontrar startups e oportunidades de negócio

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