Ações da Ores ainda não negociaram após um mês em bolsa

Ações da sociedade de investimento e gestão imobiliária Ores Portugal não negociaram em nenhuma sessão. Empresa diz que os investidores estão à espera de mais-valias.

A sociedade de investimento e gestão imobiliária (SIGI) Ores Portugal, que resulta de uma parceria criada pelo Bankinter e pela Sonae Sierra em novembro do ano passado, entrou em bolsa dia 24 de junho, mas as primeiras sessões foram em branco. Um mês após ter sido admitida à negociação, a valer 4,00 euros cada, as ações ainda não registaram qualquer variação.

A Olimpo Real Estate Portugal (ou Ores Portugal) foi admitida ao mercado Euronext Access, onde é suposto negociar por chamada (ou seja, duas vezes ao dia, às 10h30 e às 15h30). Ao preço inicial de quatro euros por cada uma das 12,55 milhões de ações, a empresa tem uma capitalização bolsista de 50,2 milhões de euros. A sociedade é, atualmente, detida em 12% pelo Bankinter e 5,14% pela Sonae Sierra, sendo que 83% do capital estão dispersos em bolsa.

“Neste momento, a ORES SIGI, tem apenas liquidez no seu ativo, pelo que não existem mais-valias potenciais nem rendimento. Face à situação do mercado, a ORES SIGI apenas irá começar a investir nos próximos meses. Assim, é normal que um acionista queira manter, neste momento, as suas ações, na expectativa da rentabilidade que esses investimentos vão produzir“, explica fonte oficial da Sonae Sierra, ao ECO.

A Ores conta com 50,05 milhões em ativos, mas quer reforçar a carteira. Apenas dias depois de ter sido criado, realizou um aumento de capital a quatro por euros por cada ação (cujo valor nominal é de um euro) que gerou um prémio de emissão de 37,5 milhões de euros. É com este dinheiro que a sociedade vai investir nos primeiros imóveis.

A estratégia de investimento será focada em ativos imobiliários comerciais, e em imóveis urbanos, nomeadamente espaços comerciais high street, supermercados e hipermercados, pequenos retail parks, unidades stand alone com arrendatários solventes e contratos de longo prazo e escritórios. Do lucro conseguido desses investimentos, a SIGI promete distribuir, pelo menos, 90% dos lucros do exercício e, pelo menos, 75% dos restantes lucros na forma de dividendos.

Devido a estas características, a acionista minoritária Sonae Sierra — que é responsável pela responsável pela gestão da carteira imobiliária e a gestão administrativa da sociedade, enquanto o Bankinter faz a gestão estratégica do veículo — sublinha que a empresa destina-se a “investidores com um perfil de investimento de médio longo prazo”.

A própria bolsa de Lisboa aponta as mesmas razões. “Tratando-se de uma empresa recém-criada, ainda a constituir portefólio, não existem, à partida, muitas razões para que as suas ações sejam transacionadas”, concorda fonte oficial da Euronext Lisbon. “Ou seja, não há ainda novidades: não há compra de ativos ou negócios imobiliários, que motivem um aumento de interesse nas ações, uma subida do seu preço, etc. Acresce a esta possível explicação o próprio perfil das SIGI, de distribuição de dividendos”, acrescenta.

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