Merlin põe ações na bolsa de Lisboa até ao final do ano. Mas SIGI? “Tal como estão regulamentadas, ainda não é possível”

A SOCIMI espanhola já tem curso o processo de dual listing, pretendendo ter ações admitidas ao mercado espanhol e português até ao final deste ano. Mas criar uma SIGI? Para já não é possível.

A Merlin Properties vai passar a estar cotada na bolsa nacional nos próximos meses. A SOCIMI espanhola tem já em curso o processo de dual listing, pretendendo ter ações admitidas ao mercado espanhol e português até ao final deste ano. Sobre as Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliárias (SIGI), a empresa mostra-se bastante interessada, porém, diz, a regulamentação atual não permite essa entrada.

A intenção de entrar no mercado de capitais português já tinha sido avançada no início do verão, mas agora foi confirmada pela responsável pelas relações com investidores e pelo diretor-geral da Merlin Properties em Portugal em entrevista ao ECO. “A nossa intenção é fazer um dual-listing até ao final do ano, porque vai dar-nos maior visibilidade no mercado português”, disse Inés Arellano, ressalvando que são atualmente o proprietário “número dois” em termos de metros quadrados de escritórios em Portugal, mas que poucas pessoas os conhecem.

Estamos a tratar de todo o processo, é relativamente simples porque cumprimos com tudo o que havia para cumprir. Por isso, em princípio, até ao final do ano estaremos também cotados em Portugal. O processo já arrancou, estamos em contacto com as autoridades e com o regulador. Acreditamos que em três meses, mais ou menos, seremos capazes de estar cotados”.

“O dual-listing permite-nos cotar na bolsa portuguesa. Vamos ser uma empresa relevante cá e, então, vamos ser muito mais conhecidos. Viemos para ficar e para aumentar [a carteira]”, continuou. Atualmente, quase 10% da carteira da Merlin está em Portugal, mas o objetivo é aumentar essa quantidade para 15%. “Vamos começar a investir nos nossos próprios ativos, mas continuar a analisar todas as oportunidades”.

SIGI são um objetivo. Mas falta clarificar legislação

A entrada em bolsa é apenas um “primeiro passo”. O objetivo principal é criar uma SIGI, a ferramenta mais recente criada pelo Governo para investir no imobiliário. A legislação está criada mas, para estes investidores espanhóis, ainda falta clarificação. “As SIGI, tal como está a regulamentação, não nos deixam encaixar. Gostaríamos de ser uma SIGI mas, tal como estão regulamentadas, não nos permite”, disse Inés Arellano.

Isto porque, explicou, em países onde o regime dos Real Estate Investment Trust (REIT) vigora, quando uma empresa estrangeira é considerada um REIT e é 100% proprietária de uma empresa noutro país, “automaticamente a subsidiária também é um REIT”. Contudo, a lei portuguesa obriga a que haja mudanças na sociedade para que essa mesma subsidiária possa ser considerada uma SIGI.

“Em Espanha isso aconteceu. A lei das SOCIMI saiu em 2009 e por volta de 2012/2013 houve uma definição da lei. Acreditamos que em Portugal vai acontecer exatamente o mesmo”, perspetivou a responsável. Quando? “Até que o regulador perceba que tem de clarificar a regulamentação”.

“Quando o regulador vir as empresas que se cotaram como SIGI e que empresas como nós, cotadas em Portugal, ainda não são SIGI, vai perceber — tal como aconteceu em Espanha — que há uma falha”, acrescentou, dizendo que já passou essa perceção ao regulador.

E se para esta SOCIMI está difícil criar uma SIGI, o mesmo acontece com outras empresas internacionais que queiram entrar para este regime. “Para os investidores nacionais a legislação está perfeita, o problema é que não há investidores nacionais cotados que sejam grandes. Mas para os estrangeiros, como a filial não se considera um REIT, é mais complicado. Porque exigem mudanças societárias que não são fáceis de fazer“, explicou Inés Arellano.

E o diretor-geral da Merlin em Portugal sublinhou essa ideia: “Para já, enquanto não houver alterações à legislação, é mais difícil o investidor estrangeiro conseguir entrar em Portugal através do regime das SIGI”. Resta agora esperar que o regulador decida fazer alterações a este regime.

(Notícia atualizada às 15h13 com mais informação)

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