Mais de um milhão de garrafas recolhidas em projeto de reciclagem que dá descontos

  • Lusa e ECO
  • 24 Julho 2020

Projeto paga dois cêntimos por uma garrafa das mais pequenas (até meio litro) e de cinco cêntimos pelas maiores (até dois litros), tendo até agora sido pagos em vales cerca de 44 mil euros.

O projeto-piloto de recolha de garrafas de bebida em plástico mediante uma compensação, em 23 locais, permitiu em três meses (entre 13 de março e 30 de junho) a recolha de mais de um milhão de garrafas, cerca de 9.500 por dia. Os números foram avançados à Lusa pela secretária de Estado do Ambiente, Inês Santos Costa, no dia em que o balanço dos três meses do projeto para a devolução de embalagens de bebidas em plástico não reutilizáveis foi feito no Porto. O Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Ação Climática financia a 100% este projeto-piloto, num montante de 1,7 milhões de euros.

As garrafas recolhidas totalizam cerca de 28 toneladas de plástico PET, que será encaminhado para reciclagem para incorporação em novas garrafas. Do total de embalagens de bebidas em plástico devolvidas nas grandes superfícies aderentes ao projeto-piloto, 71% das embalagens tinham capacidade acima de 0,5 litros e até 2 litros. O valor acumulado de garrafas de plástico devolvidas em junho representa um aumento de 65% comparativamente ao valor acumulado até maio.

Em declarações à Lusa a responsável lembrou que o projeto começou em março, altura do início do estado de emergência devido à pandemia de covid-19, e que mesmo assim as 23 máquinas de recolha receberam cada uma cerca de 400 garrafas por dia.

Financiado pelo Fundo Ambiental, o projeto contempla o pagamento de dois cêntimos por uma garrafa das mais pequenas (até meio litro) e de cinco cêntimos pelas maiores (até dois litros), tendo até agora sido pagos em vales cerca de 44 mil euros, disse a secretária de Estado.

Inês Santos Costa lembrou que esses vales podem servir para o consumidor usar nas compras ou para oferecer a uma instituição, e disse que até agora foram descontados (para consumo próprio ou doado a instituição) 80% dos vales, pelo que há 20% dos vales que ainda “andam na carteira dos consumidores”.

Os resultados mostram que “o sistema está a ter adesão” e “vai dar uma boa fotografia sobre como futuro sistema de depósito pode funcionar”. O projeto serve para preparar a implementação do futuro sistema de depósito de embalagens de bebidas, que deverá suceder a este sistema de incentivo a partir de 2022.

A secretária de Estado referiu que esta sexta-feira são assinados, também no Porto, oito contratos também de projetos-piloto de sistema de reembolso de depósito de garrafas de bebidas e latas, estes no âmbito do Programa Ambiente, criado na sequência da assinatura de um acordo entre Portugal, a Noruega, a Islândia e o Liechtenstein, o chamado EEA Grants.

São oito projetos de seis milhões de euros, com 5,8 milhões financiados pelo EEA Grants, e que abrangem candidaturas que incluem o deposito de garrafas e de latas, mas também o tratamento dessas garrafas, explicou.

São “dois projetos na área das embalagens descartáveis, com impacto importante no cumprimento da Diretiva de plásticos de uso único” aprovada pela Comissão Europeia em 2018, que prevê a introdução de sistemas de reembolso por depósito relacionado com embalagens, e que tem também “metas de recolha seletiva muito mais exigentes”, disse a secretária de Estado.

E lembrou que para o caso das garras de plástico PET (polietileno tereftalato, as usuais garrafas de água) foi estabelecida uma meta de recolha de 77%, em peso, das garrafas que são colocadas no mercado, que tem de chegar a 90% em 2029, além de as garrafas passarem a integrar material reciclado.

“Faz sentido aprender com estes projetos-piloto para perceber como integrar este sistema novo”, disse Inês Santos Costa, acrescentando: “A ideia é combinar os dois pilotos para percebermos qual o grau de alcance e de impacto que conseguimos com este tipo de sistema e como é que ele se compatibiliza com o sistema que já existe de recolha seletiva de embalagens”.

Questionada pela Lusa se o projeto de recolha de embalagens em supermercados se pode estender em breve a todo o país, a governante disse que há uma boa adesão e que se vai colher ensinamentos dos dois projetos para trabalhar num sistema que seja compatível também com outro tipo de recolhas que já existem.

Inês Santos Costa disse não saber que percentagem de garrafas são recicladas atualmente em Portugal, porque o que há é um valor de embalagens de plástico, mas realçou que vai haver “mudanças muito grandes” em termos de cálculo de metas e que é preciso dar “um salto substancial”.

O momento, porque os tempos assim o exigem, é de dar “saltos disruptivos”, avisou.

O projeto-piloto de descontos por reciclagem de garrafas de plástico arrancou a 13 de março em 23 grandes superfícies comerciais em todo o país e instaladas na área de cada um dos sistemas de gestão de resíduos urbanos. O projeto tem um financiamento de 1,66 milhões de euros.

Os contratos a assinar hoje no âmbito do mecanismo financeiro do espaço económico europeu (EEA Grants) dizem respeito a reciclagem e garrafas PET e outras embalagens de bebidas e têm em conta que a recolha mediante um incentivo permite aumentar a qualidade do produto recolhido, o que lhe dá valor quando for reciclado.

Cada projeto apresenta proposta e ideias diferenciadas, incluindo por exemplo a instalação de bebedouros públicos para reduzir o consumo de garrafas e a instalação de um parque infantil totalmente com material reciclado.

Este projeto-piloto é gerido por um consórcio constituído pela Associação Águas Minerais e de Nascente de Portugal, pela Associação Portuguesa das Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas (PROBEB) e pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) e tem como objetivo incentivar os cidadãos a adotarem comportamentos sustentáveis para que o material recolhido seja reciclado e incorporado como matéria-prima na produção de novas garrafas.

As regras de utilização e funcionamento das máquinas de recolha automática são simples. Os cidadãos depositam nas máquinas as garrafas de bebidas em plástico, do tipo PET, não reutilizáveis, de águas, sumos, refrigerantes ou bebidas alcoólicas, e recebem um talão no valor total correspondente às garrafas devolvidas: dois cêntimos por cada garrafa entre 0,1 e 0,5 litros, e cinco cêntimos por cada garrafa acima de 0,5 e até 2 litros.

Estes talões podem ser utilizados em compras, de valor igual ou superior, na loja onde as garrafas foram entregues. O valor recebido também pode ser doado a instituições que desenvolvem iniciativas nas vertentes social ou ambiental, bastando para isso selecionar essa opção no ecrã da máquina no final da operação.

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