Fazer arbitragem com o aumento de capital da EDP. Mas o que é isso?

Mercado é, por norma, eficaz, mas em muitos momentos tende a haver uma falha de sintonia entre os direitos e as ações o que abre a porta à realização de arbitragem. Saiba como funciona.

Sempre que há um aumento de capital, há investidores atentos a oportunidades para ganharem dinheiro. Muitos através da compra das novas ações, tendencialmente vendidas com um desconto para os atrair, mas alguns aproveitando os desequilíbrios no mercado, que permitem amealhar alguns cêntimos aqui e ali. Com a EDP no mercado a captar mais de mil milhões de euros com a venda de novas ações, o tema da arbitragem volta, assim, a estar no centro das atenções.

Com o aumento de capital, a EDP vai passar a ter em bolsa dois ativos distintos, mas que têm subjacente exatamente o mesmo: a própria empresa. Além das ações, haverá também direitos que permitem comprar ações, sendo ambas representativas do capital da elétrica liderada interinamente por Miguel Stilwell d’Andrade. Uma vez que o ativo subjacente é o mesmo, deveriam ter ambos o mesmo valor, o que nem sempre acontece. O mercado nem sempre é eficaz.

O equilíbrio deve ser a norma. Considerando o aumento de capital em curso, estando a EDP a cotar nos 4,546 euros, seria natural que os direitos da empresa estivessem a ser transacionados a 10,60 cêntimos cada. Sendo necessários 11,75 destes títulos para comprar cada nova ação a um custo de 3,30 euros, cada, comprar ações da EDP no mercado ou as novas ações que ainda vão chegar à bolsa, custaria exatamente o mesmo.

Contudo, em muitos momentos tende a haver uma falha de sintonia entre os dois ativos, o que abre a porta à realização de estratégias de arbitragem em que os investidores mais profissionais tendem a procurar ganhar com diferenças ligeiras de valor. E fazem-no tanto quando percebem que os direitos estão “baratos” e as ações “caras”, como quando as ações estão “baratas” e os direitos a negociar a prémio (como aconteceu na primeira sessão de negociação destes na bolsa de Lisboa).

Parece simples perceber os momentos de desequilíbrio no mercado, mas não é assim tão fácil executar a estratégia que pode permitir capitalizar essa falha das bolsas. Para realizar uma estratégia de arbitragem é necessário ser rápido, mas também ter quem lhe empreste ações da empresa (regra geral, um banco) em questão, neste caso a EDP, o que traz custos que nem sempre são suportáveis para os pequenos aforradores.

Mas vamos a exemplos. Quando, por exemplo, as ações estão “baratas” em relação aos direitos de subscrição das novas ações da EDP, a estratégia passa por recorrer ao mercado para comprar os títulos da EDP ao mesmo tempo que, recorrendo a um empréstimo de títulos, vende o número de direitos proporcional ao número de ações adquiridas.

Esta operação tem de ser feita em simultâneo, de forma a cristalizar o diferencial identificado no mercado. Depois de feita esta operação, resta ao investidor esperar que o mercado faça o seu trabalho, ou seja, que “force” o regresso a uma situação de equilíbrio, em que o preço das ações e o implícito nos direitos seja igual. Aí, terá de, em simultâneo, desfazer-se das ações adquiridas e comprar os direitos em mercado para os devolver a quem lhos emprestou. A diferença do valor gasto na primeira fase para a segunda, deduzindo-se os encargos com o empréstimo, é lucro.

Quando a situação é inversa, também é possível ganhar dinheiro com recurso à arbitragem. Numa situação em que os direitos estejam “baratos”, ou seja, a negociar a um valor que permita às novas ações um valor implícito inferior ao das ações, o investidor deve comprar esses títulos no mercado, vendendo o número equivalente em ações obtidas sob empréstimo. Mais uma vez, com o regresso a uma situação de equilíbrio em mercado, desfaz as posições, embolsando a diferença.

Desfazer a posição é uma das formas de o fazer, sendo esta a lógica da arbitragem. Mas também pode manter os direitos e exercê-los, comprando as novas ações e só depois, uma vez que estas sejam admitidas à negociação, proceder ao reembolso dos títulos obtidos sob empréstimo, ganhando a diferença de valor entre o custo que fixou na altura da compra dos direitos e o preço superior a que as ações se encontrem a negociar no mercado.

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