EDP alerta para impacto do processo judicial na “reputação” da empresa

As despesas judiciais e o impacto na reputação, situação comercial e financeira, bem como nos resultados são os riscos relacionados com o processo na justiça, segundo a elétrica.

O discurso oficial é que a EDP está a lidar da melhor forma com a suspensão do mandato de António Mexia à frente da empresa. Mas no prospeto do aumento de capital que está a preparar, a elétrica admite que o processo judicial (no qual não só o gestor como a própria empresa são arguidos) põe em risco a reputação, a situação comercial e financeira, bem como os resultados.

“Nos termos de uma investigação relacionada com montantes devidos em relação à rescisão antecipada de certos CAE e com os custos de manutenção do equilíbrio contratual e certos pagamentos efetuados em relação aos seus direitos à utilização do Domínio Público Hídrico, certos membros do Conselho de Administração Executivo do Emitente estão atualmente suspensos das suas respetivas funções“, identifica a empresa nos riscos para o aumento de capital, no prospeto enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A suspensão em questão diz respeito ao CEO da EDP, António Mexia, e ao CEO da EDP Renováveis, João Manso Neto. A decisão do juiz Carlos Alexandre de validar a suspensão de funções de funções no âmbito do caso das rendas excessivas EDP, que tinha sido proposta pelo Ministério Público.

Na primeira conference call com analistas em que atuou como CEO interino, Miguel Stilwell d’Andrade garantiu que a empresa está “bem preparada” em termos de continuidade da atividade, afirmou que o plano estratégico será executado como previsto e defendeu que a “rapidez de mudança é prova da boa governance da EDP”.

Agora, a empresa admite que “não é possível prever qualquer resultado nesta fase do processo” e alerta que “qualquer desenvolvimento deste tipo poderia ter um efeito material adverso na reputação da EDP, na sua situação comercial, financeira e/ou nos resultados das operações“.

O mesmo acontece por a própria empresa ter sido constituída arguida por suspeitas de corrupção ativa devido à alegada contratação indevida do pai do antigo Secretário de Estado da Energia, Artur Trindade. “Uma vez que a investigação está em curso, não há qualquer garantia quanto ao seu resultado final, inclusive se serão apresentadas quaisquer acusações contra a EDP pelo Ministério Público”, aponta a EDP.

“Embora não seja possível prever o resultado de qualquer dos procedimentos nesta fase do processo, estas questões poderão exigir uma atenção considerável por parte da direção da empresa e resultar em despesas legais e outras despesas significativas“, alerta ainda.

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