Este foram os negócios com mais perdas para o Novo Banco

Entre malparado e imóveis, o Novo Banco vendeu ativos tóxicos no valor bruto de 4,4 mil milhões de euros. Cinco operações deram prejuízos de 610 milhões.

As duas vendas de imóveis feitas pelo Novo Banco que se encontram em análise pela Procuradoria-Geral da República geraram uma perda de 380 milhões de euros. Mas estas não foram as únicas operações em que o banco liderado por António Ramalho perdeu dinheiro, obrigando o Fundo de Resolução a injetar dinheiro na instituição.

Desde 2018, face à necessidade de reduzir a exposição a ativos não produtivos, o Novo Banco já alienou cinco grandes carteiras de crédito malparado (empréstimos vencidos há muito tempo) e de imobiliário, cujas perdas totalizam em 611 milhões de euros.

As carteiras têm nomes sugestivos. Por exemplo, o Projeto Nata I, que compreendia uma carteira de malparado no valor bruto de cerca de 1.500 milhões de euros, foi vendida em 2018 ao fundo KKR, com o Novo Banco a registar um impacto negativo nos resultados no valor de 110 milhões de euros. Ao Nata I seguiu um Nata II, com créditos de clientes mais conhecidos no valor de 1.300 milhões de euros. Esta carteira foi vendida à Davidson Kempner no ano passado e originou uma perda de 80 milhões de euros para o Novo Banco. E ao Nata II vai seguir-se um Nata III, que Ramalho disse que estava a ser preparada e ainda não chegou ao mercado, segundo informações recolhidas pelo ECO.

Em Espanha, foi vendido também em 2019 uma carteira com ativos de créditos tóxicos e imóveis com um valor bruto de 308 milhões de euros. Quem comprou este conjunto de ativos foi a Waterfall, numa operação que levou o banco português a registar um prejuízo de quase 34 milhões de euros.

Sertorius foi a venda com maior prejuízo

Fonte: Novo Banco

No que diz respeito às duas carteiras de imóveis que estão na mira da PGR, o projeto Viriato (com um valor bruto de 717 milhões) gerou uma perda de 159 milhões de euros com a venda ao fundo Anchorage, em 2018. Já o Sertorius (com um valor bruto de 488 milhões) foi vendido à Cerberus no ano passado, causando um prejuízo de 229 milhões de euros.

É esta última carteira que está no centro da nova polémica por ter sido vendida um fundo de investimento com ligações recentes ao presidente do conselho geral de supervisão do Novo Banco, Byron Haynes. Segundo o jornal Público, esta operação motivou uma queixa à autoridade europeia (ESMA) com a denúncia de “gestão ruinosa” e “conflito de interesses”.

Por causa das perdas com a venda de ativos tóxicos e do impacto nos rácios, o Novo Banco tem vindo a pedir compensações ao Fundo de Resolução, ao abrigo do chamado mecanismo de capital contingente. Ao todo, já pediu cerca de 3.000 milhões de euros, sendo que poderá pedir mais 900 milhões ao abrigo do que está contratualizado.

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